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segunda-feira, março 15, 2010

Convite


Cinema Odeon - Cinelândia
Rio de Janeiro
23/03 - 18h

sexta-feira, março 12, 2010

Convite


Cinemathèque
Voluntários da Pátria, 53 - Botafogo - RJ
27/03
19h

segunda-feira, março 08, 2010

Salto para a vida

A vida é um erro, um engano. Pelo menos quando o sujeito não se permite ser queimado pelo incêndio sobre a chuva rala. Ilusão e realidade são categorias que a cada instante perdem qualquer sentido racional. E as relações afetivas, no bojo da circularidade de emoções sem nome, tornam-se mais singulares, únicas e intransferíveis.
O livro “Salto mortal”, de Marion Zimmer Bradley (mais conhecida pelo livro que deu origem ao filme “As brumas de Avalon”), trata do amor entre dois trapezistas de circo. Apaixonados pela arte, Mário Santelli e Tommy Zane constroem uma relação pontuada de momentos que vão da mais delicada ternura à ira (quase) fatal.
Tommy (um adolescente, filho de domadores de leão) é o pupilo de Mário (o artista principal dos Santelli Voadores. O narrador (nas quase 900 páginas prazerosas do livro) acompanha de perto o amadurecimento (muitas vezes forçado) de Tommy e apresenta a relação dos dois com a mesma naturalidade com que o garoto se profissionaliza..
O trabalho de pesquisa desempenhado pela autora é de um rigor digno de muitos elogios. A riqueza de detalhes (sem quebrar a fluência da narrativa) é comovente e funciona para aprimorar a subjetividade das personagens. Marion Z. Bradley (incentivada pela exaustão técnica das personagens) cria o ambiente exato (tenso e luminoso) para que Tommy e Mário vivam. Ambos atravessados pelos acontecimentos históricos dos anos 1940 e início de 1950. Especialmente o moralismo norte-americano de então, que se reflete no perfeccionismo das personagens.
Apesar de o espaço narrativo (os bastidores dos espetáculos circenses) agir contra o amor dos dois, Tommy e Mário (cheios de medo e desejo) se arriscam no salto mortal. Eles percebem que as certezas, quando se trata do humano, minam e escoem a cada instante. O que solicita do sujeito a adaptação insofismável e contínua.
O amor à arte é o mesmo amor à vida e ao parceiro. Não há distinção, mas há a dificuldade (humana) de harmonizar as instâncias amorosas. Tommy e Mário precisam lutar tanto para manter a tradição de artistas exemplares, quanto para manter o amor que os une livre da hostilidade e do padrão moral ao redor.
Respeito aos sentimentos e admiração profissional é a meta das personagens de “The catch trap”, no original. Por fim, o livro de Bradley remete o leitor ao lugar em que a ilusão (um movimento bonito de corpo no ar) e a realidade (as queimaduras nas cordas da rede de proteção) se tocam, imbricam-se e dão sentido à vida humana.

Texto publicado no Jornal A União em 06/03/2010

Entre outros, ouvi, vi e li, por estes dias:

= Filme Edge of darkness (O fim da escuridão) - Mais um na linha "teoria da conspiração". Mas com boas cenas de suspense.
= Filme An Education (Educação) - Um tema sempre atual, com ótimas atuações. Um ensaio sobre ser e ter.
= Filme Brothers (Entre irmãos) - O cartaz não diz nada sobre este bom filme.
= Show Pimenteira (Pedro Miranda) - Um acontecimento para a história do samba.
= Show Dez cordas do Brasil (Jaime Alem) - Quente como as noites quentes do interior. A participação de Rita Ribeiro é sempre especialíssima.

sábado, março 06, 2010

Convite


Livraria Travessa
Rua Visconde de Pirajá - Ipanema-RJ
15/03
19h30

segunda-feira, março 01, 2010

Cafona ao ponto

O fato de Wilson Simonal aparecer (depois de ter sido posto no limbo musical) ao lado de Waldick Soriano (no documentário Wilson Simonal - Ninguém sabe o duro que dei) é por demais forte simbolicamente.
Independente do que Simonal tenha feito na vida particular, nada justifica a forma tacanha de como sua carreira terminou, depois dele ter revolucionado a canção popular com sua voz e seu modo de cantar. Ele alcançou o ápice do sucesso popular.
Já Waldick Soriano sempre foi tido como um cantor polêmico e cafona, portanto, desde sempre lidou com as críticas elitistas às suas canções e interpretações. Até tornar-se cult e querido dos moderninhos.
No livro Eu não sou cachorro, não: Música popular cafona e ditadura militar, o historiador Paulo César de Araújo tenta argumentar que ser ou não ser cafona é uma questão que passa pelo gosto individual de quem ouve. Seja o crítico, seja um pequeno grupo que não pode responder pelo todo.
Mesmo exagerando em alguns pontos, como quando comete afetadas generalizações, na tentativa de justificar o corpus e a tese, Paulo César levanta a coerente questão: vender muito, lotar casas de shows e ser popular (ter o aceite do povo) significa que a obra do artista não presta? O fato é que, com o nosso costume de pichar quem faz sucesso (muitos artistas se vangloriam de vender pouco), muitas obras, na maioria das vezes, nem são analisadas com o cuidado necessário. Já são lançadas sob estigmas destrutivos.
Ora, Simonal agregou duas atitudes fatais: vendia muito (os shows lotavam) e perdeu o crédito com a esquerda política. Ou seja, passou do cantor, que gravara os hits dos "cheios de bossa" da época, ao cafona (desprestigiado), que cantou para meia dúzia de gatos pingados nas praças públicas. Ao ponto de dividir o espaço de um comercial de supermercado, ao lado de (pasmem!) Waldick Soriano, o hiper cafona.
O caso Simonal prova que a crítica, tristemente, teima em lidar com uma questão de gosto e não com instrumentos isentos de afetos que limitam a análise. Simonal era o moderno, mas "atingiu" a inteligentzia brasileira e caiu no limbo.
O livro de Paulo César de Araújo - "Eu não sou cachorro, não" - deve ser lido (criticamente) naquilo que tem de essencial: a invisibilidade das canções e dos artistas cafonas promovida pela crítica musical e acadêmica.

Texto publicado no Jornal A União em 27/02/2010

Entre outros, ouvi, vi e li, por estes dias:

= Peça Hamelin - Montagem crua para um texto denso e de tema complexo. Até 25/04 no CCBB-RJ.
= Disco Tantas marés (Edu Lobo) - Delicado e belo.
= Show Badi Assad - Excepcional performance de uma excepcional estrela de nossa canção.

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Eterna batucada

O que há em comum entre "Pra você gostar de mim (Taí)", "Elogio da raça", "Alô... Alô?...", "Tic tac do meu coração", "Adeus batucada", "No tabuleiro da baiana", "Camisa listada", "Na baixa do sapateiro", "O que é que a baiana tem?", "Mamãe, eu quero" e "Tico-tico no fubá" é que, além de serem canções (sambas e marchinhas) que fazem parte do imaginário (orgânico) da história da nossa canção popular (e do nosso carnaval), elas são do repertório de Carmen Miranda.
O livro "Carmen", de Ruy Castro é imprescindível. A frase de efeito tenta resumir o assombroso trabalho do biógrafo (são quase 600 páginas) sobre a vida da brasileira mais famosa do século XX. O cuidado com as informações e a construção da personagem marca a obra de Ruy Castro. Apesar de seguir a ordem cronológica dos acontecimentos, aqui e ali o autor faz recuos precisos, ou antecipações luminosas, a fim de instigar o leitor e criar a trama da história a ser narrada.
Ruy Castro narra em linguagem bastante próxima do leitor. Muitas vezes parece estar pensando junto com o leitor, quando, por exemplo, em mais de uma vez, atônito, diante de atitudes que certamente resultarão em algo ruim, ele pergunta: por quê? Autor e leitor ficam sem respostas, pois elas não existem, ou, se existem, escapam à racionalidade de quem está distanciado emocional e temporalmente dos fatos.
Não restam dúvidas de que Carmen, a mulher que fez o Brasil sair da toca, com sua força e presença física, eternizou as canções de seu repertório. E como fomos ingratos com Carmen! Isso enquanto intelligentsia, porque o povo, este nunca se enganou. Ele sabia (e sabe, porque ainda se embalam com suas canções) que Carmen personificava a explosão colorida da alegria de um povo que, apesar da dor, canta e é feliz. Isso não é utopia, basta observar ao redor, para perceber; basta ter os olhos livres, como Carmen, literalmente (com um toque de Dorival Caymmi), tinha; basta sair às ruas.
Perdemos tempo criticando Carmen, enquanto o que ela fazia, carregando nas costas o nome do Brasil, era dar uma resposta sublime ao nosso ato mesquinho. Não sabíamos como defini-la. Ela expunha nossa brejeirice de forma radical. Envergonhamo-nos.
Por mais que saibamos a história de Carmen, e de que modo ela tristemente acaba (ou melhor, se eterniza), é difícil não fechar o livro com a sensação de que tudo poderia ser diferente. Ficam os porquês, mas, sobretudo, as canções que ela batucou.

Texto publicado no Jornal A União em 19/02/2010

Entre outros, ouvi, vi e li, por estes dias:

= Filme A fita branca - A crueldade se ramifica de forma lenta e certeira durante este filme (de fato) cruel.
= Peça Um navio do espaço ou Ana Cristina César - Ver Paulo José em cena é sempre um deslumbramento.
= Peça A chegada de Lampião no inferno (Cia. PeQuod de Teatro de Animação) - Mais um excelente espetáculo da Cia. Com muitas referências ao mestre Vitalino, o roteiro ganha muito no que se refere à emoção.
= Peça Pernas pro ar - Claudia Raia confirma sua veia para comédia e musical. Ela arrebenta, mesmo com texto e versões musicais fracos.
= Disco Cauby interpreta Roberto (Cauby Peixoto) - A interpretação de Cauby Peixoto dá às canções de Roberto Carlos certa dramaticidade (sem exageros) que toca fundo o coração do ouvinte.
= Exposição Cuide de você (Sofie Calle) - Calle faz do limão (a perda amorosa) uma limonada (embora ácida) fácil de apreciar.

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Entrevista para o Saraiva Conteúdo

27 de Janeiro de 2010
Por Ramon Mello

Em tempos de MP3, há quem dispense o shuffle para ouvir música no rádio. Diferente dos moderninhos, o jornalista Leonardo Davino mergulha no universo da Música Popular Brasileira através das ondas do rádio, analisando letra e música.
Brincando com o acaso, ele idealizou o projeto/blog 365 Canções, um espaço “para fazer comentários (breves e leves)” sobre a primeira canção que ouvir no dia. Sintonizado na MPB FM (90,3), Davino faz a contagem regressiva de 2010 ao som de poetas da canção como Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil.
No blog, cada post está relacionado à letra de uma música e, às vezes, a um vídeo com a interpretação do cantor. Pode ser um trecho do histórico show do Secos e Molhados nos anos 70. Ou, um clipe do Lenine. Tudo depende do acaso.
Paraibano radicado no Rio de Janeiro (ou “parioca”, como gosta de dizer), Leonardo Davino é Mestre Literatura Brasileira com Pesquisa sobre Canção e Teoria da Literatura. E, ainda, possui uma pesquisa sobre a obra de Caetano Veloso. 365 Canções, sem dúvidas, pode se tornar um belo livro. Ouça:

Você ouve rádio diariamente?

Leonardo Davino - Sim, tanto para ouvir as "novidades", quanto para perceber como algumas canções permanecem enquanto outras somem. Seja pelo celular, no aparelho de som de casa, ou no micro (na maioria das vezes), quando não tenho um disco específico para curtir, ligo o rádio e me deixo à sorte.

Como surgiu a idéia do projeto 365 Canções? É uma referência ao livro 31 Canções, de Nick Hornby?

Davino - Não há nenhuma referência ao livro de Nick Hornby. No caso dele, ao que me parece, há uma questão de gosto, na escolha das canções. No caso do meu projeto 365 canções o que acontece é a total aleatoriedade. Mas é engraçado você citar o Hornby, pois comecei a ler Frenesi polissibálico, outros textos me desviaram dele, e não consegui terminar.
Um leitor do projeto perguntou se haveria (também) alguma referência ao filme Julia & Julie. Respondi que não pois, mesmo tendo o conhecimento das questões do filme, eu ainda não o havia assistido na época de montar o projeto.
De fato, o desejo surgiu exatamente da vontade de me testar diante da surpresa das canções que surgirem. Sair da zona de conforto na qual, muitas vezes, nos colocamos e refletir sobre peças que, talvez, pela questão do gosto, eu não fosse parar para pensar.

Como as tecnologias interferem no mercado musical? É uma vantagem para o público ou o artista?

Davino - Hoje não se precisa mais comprar um disco para curtir uma canção, a não ser os colecionadores e os fãs. Basta comprar apenas a música de desejo e pronto: cada um monta sua trilha sonora particular. Paralelo a isso, sem dúvidas, a relação entre o público e o artista ficou muito mais fácil, no sentido de mais próxima e acessível. As possibilidades são enormes. Assim como as possibilidades de feitura e de divulgação de um trabalho.
E, acredito, em um futuro próximo, a renda do artista virá das apresentações e dos produtos paralelos ao disco propriamente dito. Porém, não saberia precisar o nível de vantagem ou desvantagem para cada parte envolvida, apesar de pensar que o público tem certos ganhos. Sei que há mudanças e as gravadoras estão se mobilizando.

Por que pesquisar a Música Popular Brasileira?

Davino - Pela riqueza absurda dos nossos cancionistas. Há um manancial incomensurável para ser estudado. Além disso, desde a graduação em Letras na UFPB, quando fiz parte de um Projeto de Pesquisa chamado O neobarroco em Caetano Veloso, orientado pelo competente professor Dr. Amador Ribeiro Neto, descobri que meu objeto seria a canção.
Importa dizer ainda que sou do interior da Paraíba, cresci ouvindo os desafios dos repentistas no rádio da minha avó paterna. Sempre fui curioso para entender o malabarismo do texto com a melodia. Mais tarde entrei na faculdade e tive o privilégio de fazer parte dessa pesquisa.

Você é mestre em Literatura Brasileira, com pesquisa sobre Canção e Teoria da Literatura. Sua especialização é em Caetano Veloso? Por quê?

Davino - Sim, pesquiso a obra de Caetano Veloso desde a graduação. A obra de Caetano, com seu projeto tropicalista e por apresentar ao ouvinte-leitor personagens e temas híbridos e abertos às leituras diversas, me oferece a possibilidade de manter o "olho livre", como sugeria Oswald de Andrade. Dito de um modo geral: encontro na obra de Caetano referências de vanguarda e "cafona", o que é um forte estimulante para mim, enquanto pesquisador, pois não me deixa cair em preconceitos e/ou academicismos.

Você acredita nas profecias sobre o fim da canção?

Davino - Acredito, como falei, nas mudanças no modo de feitura e de acesso à canção. Aliás, acredito tanto nisso que pesquiso canção e meu projeto de doutorado tematiza exatamente a produção de canção na era da mobilidade. Penso junto com o semioticista Luiz Tatit, ou seja, enquanto existir gente falando, haverá canção. Obviamente, os temas e as estruturas mudam junto com o tempo que passa, mas a canção não morre.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Sessão de autógrafos


Travessa 1
Travessa do Ouvidor, 17
25/02
17h30

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Aqueles quatro

Caio Fernando Abreu é um autor bastante conhecido. Infelizmente, alguns de seus textos ganharam sofríveis adaptações para cinema e teatro. Salvos a memorável “Dama da noite”, criada por Gilberto Gawronski e a peça “Aqueles dois”, da Cia. Luna Lunera.
“Aqueles dois”, do livro Morangos mofados, é um conto excepcionalmente machadiano, com estruturas, ironias e insinuações trabalhadas para deixar nas mãos do leitor a tarefa de fechar a questão. O texto trata da relação entre Raul (moço do norte que tem um sabiá chamado Carlos Gardel) e Saul (moço do sul, com seu livro de reproduções de Van Gogh), tendo como pano de fundo São Paulo e uma repartição pública: “um deserto de almas”.
Mas, como em Machado de Assis, neste conto de Caio Fernando, o mais desafiador estar em perceber as sutilezas formais do texto do que em responder a débil pergunta se Raul e Saul são mais do que amigos. Afinal, quais são os limites da amizade?
Os principais êxitos da adaptação são: o entendimento do universo criado pelo autor e a interpretação consciente dos quatro atores em cena: Cláudio Dias, Marcelo Souza e Silva, Odilon Esteves e Rômulo Braga. Os quatros assinam a direção e a dramaturgia, junto com Zé Walter Albinati. O resultado é um trabalho honesto e competente. Os atores se revezam na interpretação das duas personagens (nenhum dos quatro sai de cena), estabelecendo uma leitura e apresentação plural das ações, dinamizando as situações e embaralhando a percepção do público, como o texto faz com o leitor.
O cenário merece atenção e destaque. Tendo como base um tatame cercado por inúmeros objetos, que são manipulados ora para montar o ambiente doméstico de cada personagem, ora para impor o desértico espaço da repartição, ele nunca fica vazio. Há sempre resíduos de um lugar interferindo no outro, sugerindo a luta psíquica e física enfrentada por Raul e Saul. Os figurinos são funcionais e a trilha sonora é exata.
Em um trabalho cercado de tantos cuidados, mas, ao mesmo tempo, tão despojado em sua totalidade e capacidade de transmitir a história (com o aspecto de um grande ensaio aberto), não dá para deixar de elogiar, mais uma vez, a competência dos atores-diretores. O conto de Caio Fernando Abreu é demasiado humano (com avanços e recuos). A peça capta e entrega ao público o humano contido no texto, mas, e aí reside a beleza das boas montagens, a peça “Aqueles dois” amplia a engenhosidade do texto.

Texto publicado no Jornal A União em 30/01/2010
E no site da Secretária de Cultura do Rio:
http://www.cultura.rj.gov.br/artigos/aqueles-quatro

Entre outros, ouvi, vi e li, por estes dias:

= Filme Sherlock Homes - Humor e ação a serviço de um personagem clássico.
= Filme Amor sem escalas - Atual e com roteiro bacana.
= Filme Chèri - A cenografia, o trabalho de arte e o figurino são incríveis.
= Show Todos Dominguinhos (Flávia Bittencout) - Uma bela homenagem ao mestre.
= Dança Boca do lobo (Cia. Renato Vieira) - Renato Vieira e Bruno Cezário assumem o risco de, através do brilho apolíneo, revelarem a pulsão dionisíaca de todos nós.
= Peça Macbeth - Ver Renata Sorrah em texto clássico é sempre um deslumbre.
= Peça Carmen, o it do Brasil - Honesta tentativa de homenagear nossa grande estrela.
= Exposição José Patrício: o número - Excelente trabalho visual. Até 07/03, na Caixa Cultural.
= Livro Cabeça a prêmio (Marçal Aquino) - A melhor narrativa policial(!) que já li. Forma e conteúdo em perfeito equilíbrio.

terça-feira, janeiro 12, 2010

2000inove passou

Destacar os melhores de 2009 não é tarefa fácil. Mas dou minha contribuição, neste período de balanços e expectativas, apontando o que continuará (me) tocando em 2010.
Na música tivemos: “Pelo sabor do gesto”, disco que confirma Zélia Duncan como uma das cantoras que melhor sabe escolher repertório; “Certa manhã acordei de sonhos intranquilos”, de Otto, é um objeto híbrido capaz de amalgamar vários matizes do experimento cancional; além do denso e redentor “Zii e Zie”, de Caetano Veloso; e do avassalador “Maria Alcina confete e serpentina”, da sempre fulgurante Maria Alcina.
No teatro tivemos desde a ousada montagem de “Medida por medida”, de Shakespeare, dirigida por um virtuoso Gilberto Gawronski; passando pela força da montagem absurdamente seca e precisa de "Barrela", com o pessoal do Nós do Morro; e pelo lirismo sarcástico de "In on it", com direção de Emílio de Neto.

Entre as exposições, frente ao luto pelo incêndio que destruiu parte do acervo de Hélio Oiticica: “Obranome II” reuniu os mais significativos objetos da poesia visual do Brasil; “Pierre et Gilles – a apoteose do sublime” trouxe alguns bons exemplos da obra da dupla francesa; e “Vertigem”, dos gêmeos Gustavo e Otávio Pandolfo, mostrou a união do grafite com o realismo fantástico típicos dos irmãos.

Já no cinema, alheio à invasão dos vampiros, 2009 teve: o bonito “Milk”, com um competente Sean Penn; o diagnóstico preciso de “Entre os muros da escola”; e o inquietante e pop “(500) dias com ela”. Por aqui, “Coração vagabundo”, “Palavra (en)cantada”, “Dzi Croquettes” e “Simonal – ninguém sabe o duro que dei” se destacam entre os documentários (categoria reinante) que retrataram figuras e épocas que contribuem para a riqueza da canção e da cultura brasileiras. Mas, certamente, o velhinho Carl Fredricksen, de “Up – altas aventuras”, roubou a cena.

Na literatura, tivemos o lançamento de “Vinis mofados”, o aguardado livro de poesia de Ramon Mello. Além de registrar como o diálogo entre canção e poesia é muito tênue, o autor consegue, através de versos rápidos (mas demonstradores de boa lapidação), imprimir o cotidiano de forma tão prazerosa (mesmo com dor) que a vida parece mesmo valer a pena; além do livro “Entre milênios”, reunião póstuma dos escritos de Haroldo de Campos, que mostra o mestre atento ao novo e à tradição.
Mas entre as surpresas de 2009 (ano do centenário de Carmen Miranda), Sílvia Machete é rainha. Com presença e voz marcantes, suas bolhas de sabão fizeram o ano passar mais leve. A outra impactante surpresa foi ouvir Pedro Miranda. Sua voz (com algo de Clementina de Jesus) é forte e doce, cheia de tradição, mas sem se desconectar de seu tempo. O cd “Pimenteira” é o melhor (pela revelação) de 2009.


Que 2010 seja cheio de mais e outras boas surpresas!

Texto publicado no Jornal A União em 15/01/2010

Entre outros, ouvi, vi e li, por estes dias:

= Peça Laranja azul - Com atuações convincentes, a peça discute até que ponto manipulamos os outros, ao final fica a certeza de que "a razão dá-se a quem tem".
= Peça Barrela - O pessoal do Nós do Morro conseguiu ampliar a força da peça de Plínio Marcos e imprimir vigor ao tema retratado.
= Peça Mediano - É muito gratificante ver um ator, consciente do seu ofício, em cena.

= Filme Deixe ela entrar - Um dos melhores do gênero.

= Filme Do começo ao fim - Um mote excelente, muito mal glosado, apesar da qualidade técnica.

= Filme Lula, o filho do Brasil - Muito bem feito!

= Show Pelo sabor do gesto (Zélia Duncan) - Com repertório perfeito, o show flui junto com a energia da cantora.

= Livro O homem casado (
Edmund White) - Narrativa, algo romântica no modo de se desenvolver, bastante envolvente.

= Livro Noites tropicais (Nelson Motta) - Memórias alucinantes que iluminam a história da nossa canção: da Bossa Nova ao surgimento das duplas sertanejas.

= Livro Cartas de um sedutor (Hilda Hislt) - A narrativa estilhaçada é impressionantemente funcional para o objetivo da mensagem.

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Os 10+1 melhores de 2009

Os discos que continuarão (me) tocando em 2010

segunda-feira, dezembro 14, 2009

A canção impura

Estudar a canção no Brasil é trabalhar com níveis de cultura que existiam separados e que em algum momento se combinaram. Torna-se importante analisar os (quase) aforismos, ora fragmentados, ora recolhidos em trechos completos e complexos das canções. Além do reconhecimento e da descrição de “influências” diversas, urge, para a compreensão das obras, entender o procedimento de hibridação em si, as estratégias adotadas para montagem da canção, tendo em vista a porosidade das fronteiras.
Tais pontos podem ser abordados quando pensamos a tradução que o artista efetua ao absorver as influências de fora – dos centros culturais hegemônicos –, como algo que não se opõe à suposta vulnerabilidade da cultura interna. Ou seja, não há absorção passiva, nem rigidez cultural, porém uma destreza em condensar em um produto (local) a tradição e as novidades. Isso vai além da misturas entre duas culturas pré-existentes. O artista entende que a incorporação do novo passa pela revisão total na estrutura da sua própria cultura, buscando novas perspectivas de/para a(s) herança(s).
Hibridizar é, portanto, desenvolver a competência para absorver o estrangeiro com olhar próprio, “devorar” o outro e introduzir na cultura interna o melhor – antropofagicamente. No caso da canção, absorver ritmos, técnicas melódicas, instrumentos, artifícios poéticos que possam promover a crítica do que é tido como local, de “raiz”, como fez o movimento da Tropicália, no final dos anos de 1960, e o Mangue Beat, nos anos 1990, por exemplo.
A “identidade cultural” está em permanente construção, para tristeza daqueles que defendem certa “pureza”. O mundo contemporâneo mostra cada vez mais que o passado deve ser incorporado e modificado com novos e estimulantes sentidos para a produção de cultura.
O fato é que só se tenta preservar aquilo que está se extinguindo. A revisão cultural não destrói, dá continuidade. Importa atentarmos para a mobilidade das questões e dos elementos do conhecimento, que estão sendo construídos permanentemente e não devemos ter medo de conhecer e relativizar “o que é nosso” e a nossa sensação de pertencimento de um lugar. A pós-modernidade nos ensinou que não há apenas um caminho para a história.


Texto publicado no Jornal A União 12/12/2009

Entre outros, ouvi, vi e li, por estes dias:

= Show Margareth Menezes - Uma das coisas mais lindas que vi em 2009. Margareth arrebenta sem precisar exagerar em nada. Tudo é extremamente impactante: a voz, o som, a presença (força) física...
= Filme 2012 - Muita coisa mal realizada.

= Filme Atividade paranormal - Muito barulho por nada. Mais um filme sob a veia Big Brother.

= Filme Planeta 51 - Lindo!

= Peça Hiperativo - Mais um stand up comedy, só que com a assinatura de Paulo Gustavo (ator de "Minha mãe é uma peça"). Muito bom, dentro do que se propõe.

= Peça O despertar da primavera - As pessoas em cena parecem (e "atuam") muito mais como modelos do que como atores, mas (no todo) é um bonito espetáculo.

segunda-feira, novembro 30, 2009

Avesso do bordado

Quando Maria Bethânia surge caminhando sobre um lago de pétalas (alimentado por uma fonte de rosas vermelhas) ela é mais que uma cantora: ela afirma que a canção é seu destino. Ela segue a lei do amor pela (via da) canção.
"Festa, amor, devoção" - título de seu mais recente espetáculo - traça um perfil introspectivo da artista: brejeira-sertaneja, nua para si e, de todo modo, feita na Bahia (dos terreiros e das igrejas, do Carnaval e do São João, de João Gilberto e do Olodum). Maria Bethânia se mostra generosa com seu público e com a vida, exatamente porque faz da canção um instrumento de prazer e glória. Ela executa seu ofício com o coração vertendo mel de abelha rainha. Ela evoca saudades e lampejos de dor, passeia pelo trem do desejo, abre e fecha pontos (profusão de entidades) e vira estrela clareando os breus.
A voz de Bethânia (ou das sereias que cantam através dela) faz da saudade (de um amor, ou de um lugar) uma luz que aquece o coração. Luz inventada, torcida no ponto exato e a serviço da vida e para o fim de cada ato da existência. A dor não tem lugar e o amor que desfaz todo mal enche os espaços de alegria. Dobra-se a esquina e as perdas do caminho são superadas. Afinal, o amor não termina no final. Tristezas e saudades deixam de fazer sentido e a devoção (à vida) passa a ser alimentada.
O repertório desenha as intenções do título (três palavras-lemas de Dona Canô, mãe da cantora a quem o show é dedicado): sob as bênçãos de "Santa Bárbara", "É o amor outra vez", "Você perdeu", "Balada de Gisberta", "Domingo"... ganham forças preciosas. Aliás, as canções dos discos "Encanteria" e "Tua", bases do espetáculo, mostram muito mais vigor (certamente pela presença física de Bethânia) no palco. Apenas "Queixa" ficou um tanto passional demais, apesar de bem contextualizada.
A iluminação favorece muito o conjunto cênico. Certa hora, o palco nu (apenas com a presença quase imperceptível de um ponto de luz - pagã ou auto de fé - que desce até o centro do palco), mas repleto da voz da dona, dá espaço para uma coleção de fotografias de lugares do "interior" (sertão). A doce viola não cessa de zunir no ar os acordes que tecem os fios do destino e desfazem os nós da apatia diante das intempéries. Ao invés das saudades em brasas, a certeza de que ficar só (também) é lindo.
A pessoa é para o que nasce, Bethânia (senhora de todos os amantes das canções) sabe disso. Sonho, sol, cor, vida são os motores de seu canto. A canção e a vida agradecem.

Texto publicado no Jornal A União 28/11/2009

Entre outros, ouvi, vi e li, por estes dias:

= Show Zii e Zie (Caetano Veloso) - A platéia demorou para esquentar, mas o show é muito bom. O som tava ótimo e eu continuo implicando com o uso da asa delta no cenário. Entendo, mas acho cafona!
= Show Eu não sou nenhuma santa (Silvia Machete) - A cantora continua aprimorando sua capacidade única de presença cênica.
= Filme Alô, alô, Terezinha! - Chacrinha merece coisa melhor.
= Peça A história de nós 2 - Irretocável! É ótimo quando uma comédia é feita sem agredir a inteligência do público.
= Peça Musicomédia - Mais do mesmo, mas sempre muito bom.
= Peça Farsa da boa preguiça - Deliciosa montagem do universo de Ariano Suassuna. Elenco ótimo!
= Peça Os difamantes - Para rir do início ao fim. Muito boa.

segunda-feira, novembro 16, 2009

Apontamentos: Canção e Memória III

Não é sem motivo que programas como "Por toda a minha vida" tenham tido grande sucesso de público. Parece que começamos a despertar para a urgência do resgate da história de nossa canção. Para tanto, é preciso unir infraestrutura, mão de obra e canais de divulgação dos objetos. A TV, pela penetração cultural e apelo de público, pode ser um espaço pelo qual a canção pode ser guardada e disponibilizada. Sem falar da internet, com o Youtube promovendo a redefinição da imagem do ídolo pelo próprio fã.
Mas há ainda a pouca pesquisa sobre, por exemplo, as capas de discos; a semiologia da canção (responsável por apontar o que existe por trás da máscara da baiana de Carmen Miranda); e a "cena" contextual de cada canção e/ou movimento (algo que filmes como "Palavra (en)cantada", "Dzi Croquettes", "Loki", "Coração vagabundo"... parecem querer dar conta). De fato, estes filmes cujos arcos narrativos se apóiam na pesquisa da memória, iluminam caminhos que devem ser percorridos. O estudo do contexto histórico não desmerece (ao contrário) a apreciação técnica.
A diversidade de materiais a serem trabalhados é incrível. Faz tempo que o mundo come do nosso "biscoito fino", como queria Oswald de Andrade. A caduca discussão de letra de música é poesia (o que entrava muitas pesquisas) não tem eco no dia a dia. O contato com a literatura acontece diariamente no Brasil através das letras das canções. E este acesso é descentrado. Ninguém precisa "autorizar", como ocorre em outras artes.
Obviamente, nem todo poeta é cancionista (e vice-versa). Há letras que não se sustentam (teoricamente) sem a melodia. Vinícius de Morais tinha consciência desta distinção. Na canção a poesia parece perder o "ranço" acadêmico. Obviamente, isso não ratifica o mito da espontaneidade na canção versus o preciosismo literário. A canção, tendo raiz na fala, possui um tremendo poder de persuasão. Isto porque as falas cotidianas instruem a canção: O rap é exemplo máximo disso.
Assim, a canção é a fixação de algo que se "perde" todo dia, quando falamos. Mais uma vez, estamos no campo da memória. Precisamos de políticas públicas que estimulem a guarda delas: da memória e da canção. Senão continuaremos dependendo dos bravos colecionadores particulares para termos acesso às obras (quem é pesquisador sabe da dificuldade). E não nos enganemos, a mobilidade e a multiplicidade dos suportes não implica concluir, necessariamente, que estamos guardando algo.

Texto publicado no Jornal A União 14/11/2009


Entre outros, ouvi, vi e li, por estes dias:


= Dança Répertoire (Ballet de Lorraine) - Boa amostra dos trabalhos de Isadora Duncan, Martha Graham, William Forsythe e Maguy Marin.
= Dança (Not) a love Song (Alain Buffard) - Mídias bem trabalhadas.

= Dança Uma misteriosa Coisa, disse o E.E. Cummings + A dança do existir (Vera Mantero) - Absurdo!
= Dança ATP (Tamara Cubas) - Angustiante e revelador.

= Dança True (10 Artists Collective From Japan) - Muita tecnologia e pouco corpo.

= Dança Va, Vis (Norma Claire) - A boa dança como êxtase. Muito bom!

= Dança Embodied Voodoo Game (Cena 11) - Muita tecnologia por nada.

= Dança De-vir (Fauller/Cia Dita) - Bons movimentos e plasticidade, mas com repetições desnecessárias.

= Dança Influx Controls: I wanna be wanna be (Boyzie Cekwana) - Político ao extremo. Forte!
= Exposição Pierre et Gilles: A apoteose do sublime - Pequena mas importante mostra do trabalho desta dupla que une fotografia e pintura para tematizar, barrocamente, a religião e o sexo, entre outros elementos culturais. Até 17/01 no Oi Futuro-RJ.
= Filme (500) days of summer - Um dos melhores filmes do ano. Roteiro, música, tema... tudo atinge o máximo de resultado.
= Teatro Solidão nos campos de algodão - Muito grito, boa cenografia, interpretações regulares.

terça-feira, novembro 03, 2009

Apontamentos: Canção e Memória II

Como diz Tom Zé: "Tudo só se acha no passado. O futuro é uma coisa que a gente tropeça nele". O Brasil tem muitos músicos intuitivos (etnólogos de ouvido). A importância do registro das apresentações se faz necessária e urgente. Avançamos muito em termos de remasterização e tecnologias de gravação, mas há muito por fazer com o que restou do passado, já que as gravadoras, quando demitiam seus artistas, jogavam fora, todo o material referente a eles. Quantos momentos de extensa importância para se pensar a cultura brasileira foram perdidos! Além do óbvio prejuízo financeiro.
Precisamos romper com a necessidade (imposição, devido à falta de arquivos) de recorrer às coleções de fora para que os pesquisadores possam desenvolver trabalhos sobre a canção brasileira. Os exemplos são inúmeros: O material de Carmen Miranda, o arquivo sobre Edu Lobo e as gravações de Tom Jobim são alguns. Se comparados com os feitos no Brasil da mesma época, os registros de lá denunciam a péssima qualidade de nossos recursos técnicos. Além disso, os arquivos brasileiros são caros e mal cuidados, até porque o restauro, por aqui, não dá visibilidade ao patrocinador.
Assim, a importância dos acervos privados é inegável. Felizmente não são poucas as pessoas que têm consciência de preservação. O pesquisador de música Almirante (pioneiro da conservação), cujo acervo está no Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro e José Ramos Tinhorão, com objetos sob a guarda do Instituto Moreira Sales, são dois bons exemplos. Afinal, são nas coleções privadas (e públicas) que encontramos a "memória genérica" da identidade brasileira.
Há ainda a questão dos direitos autorais (o triste episódio "Hélio Oiticica" aponta isso), que tem se tornado um sério problema para quem deseja pesquisar, divulgar e disponibilizar as obras. Como preservar o direito de herança e dar ao público em geral o direito de contato com as obras? Esta é uma questão cada vez mais premente.

Precisamos aprender a guardar nossas obras. Certamente, guardar não significa por em cofre, mas manter vivo e em circulação. Guardar é redefinir o que é "autêntico" e "nacional", dentro da perspectiva brasileira, um país cuja musa é híbrida. Entenda-se híbrida como mistura genética e estética. Isso não é teoria, é cotidiano. O samba - nosso "gênero primeiro" - é mestiço. Portanto, guardar é não hierarquizar, mas respeitar as especificidades. (Continua).


Texto publicado no Jornal A União 31/10/2009


Entre outros, ouvi, vi e li, por estes dias:


= Peça Theatro Musical Brazileiro 1860-1914 - O espetáculo em cartaz no CCBB é imperdível para quem quer conhecer melhor a história da nossa canção popular. As influências, os temas, as apropriações... Imperdível. As atuações emprestam brilho imprescindível aos costumes de época.

= Peça Oui Oui a França é aqui - João Fonseca dirige um espetáculo que passa em revista (com certeiros exemplos) a influência que a música (e não apenas) francesa exerceu sobre a brasileira.
O elenco é fabuloso.
= Peça Primus - Muito barulho por nada, apesar da boa pesquisa.

= Livro Vinis Mofados (Ramon Mello) - Este tão aguardado livro é exemplar na afirmação do diálogo entre o "novo" e o "antigo" e nas apropriações que a palavra escrita faz da palavra cantada. Merece um texto próprio aqui no blog.

= Exposição Wifredo Lam Gravuras - Maior exposição do artista (surrealista) no Brasil. Até 03/01/2010, na Caixa Cultural.

= Exposição Obranome II - A importância de peças fundamentais para se pensar e estudar a poesia visual no Brasil ficou sufocada na péssima montagem da exposição no Parque Lage.

= Show Festa Amor Devoção - Bethânia é a senhora de todos nós, o avesso do bordado... reconvexo.

segunda-feira, outubro 19, 2009

Apontamentos: Canção e Memória I

A PUC do Rio reuniu pesquisadores e artistas para debates sobre Música Popular, Literatura e Memória. Ficou evidente que, se por um lado temos cancionistas preocupados com a preservação da memória cultural do país, por outro lado o descaso, dos diversos níveis da sociedade, atrapalha os projetos.
No Brasil, a canção popular, desde sempre, é marcada por certa "voz libertadora". Mesmo em tempos ditatoriais, a canção, por seu apelo comercial e popular, agrega pensamentos de libertação. Ela dá direito de voz. Haja vista a penetração do rap hoje, por exemplo. Mas a canção também tem o dom de registrar aquilo que esquecemos. Basta ouvir os primeiros sambas, com seus sons inspirados na África.
De outra forma, a canção é um tipo artístico para o qual não é necessária nenhuma preparação. Ou seja, podemos estar fazendo coisas as mais variadas possíveis que sempre haverá uma canção tocando como pano de fundo. Dito de outro modo, não é preciso "parar para curtir uma canção". Muito embora alguns cancionistas sejam capazes de estranhamentos tais que arrebatam o ouvinte. Mas cada um toma a canção de seu jeito, sem hora marcada, nem local definido.
A canção por aqui reflete o paradoxo que constitui o Brasil. Do barroco e candomblé de Caymmi à seca e gêneros musicais nordestinos de Gonzaga: a canção serve, entre outras coisas, para pensar o país e lançá-la no mundo, como fez a Bossa Nova ao obrigar os americanos a falarem "Copacabana" e "Ipanema". Essa paisagística urbana híbrida do Brasil, com a "má influência do urbanismo" que Mário de Andrade tanto evitou também marca nossa canção. E não nos enganemos: Por mais paradoxal que possa parecer, a Bossa Nova tornou possível a leitura de Clementina de Jesus, por exemplo; e o Olodum sempre esteve presente em João Gilberto.
Desse modo, somos tanto a nacionalização de Mário de Andrade, com o preconceito em relação ao popularesco; quanto os estilhaços de Oswald de Andrade, cujo Brasil era pensado por colagem, deslocamentos e condensações de significantes. A canção no Brasil se cruza erudito com popular, culto com simples. Já conseguimos o direito ao uso de todos os instrumentos. Somos "Doces bárbaros" e "Brasileirinho", para citar dois trabalhos fundamentais de Maria Bethânia, a grande diva que sempre levou "poetas do livro" para o palco da canção. (Continua).

Texto publicado no Jornal A União 17/10/2009

Entre outros, ouvi, vi e li, por estes dias:


= Peça Toda nudez será castigada - Tirando alguns gritos, a montagem da Armazém Companhia de Teatro é avassaladora, como o texto de Nelson Rodrigues.
= Peça Z.É. - Nada absurdo, mas faz qualquer um bolar de rir.
= Filme District 9 - Inovador! Este filme é uma sacada de mestre. Incrível!
= Filme A Orfã - Alguns clichês, mas assustador.
= Filme Los Abrazos Rotos - Almodóvar adensa (quase ao irreconhecível) ainda mais sua pespectiva intertextual de fazer cinema.
= Livro Velô (Santuza Cambraia Naves) - Lúcida análise sobre o disco Velô do Caetano. Boa Leitura!
= Livro A luz do farol (Colm Toibin) - O jogo de claro escuro (das voltas) de um velho farol serve de metáfora para as complexas relações afetivas apresentadas pelo livro.
= Show Jards Macalé e Maria Alcina - Corretíssima homenagem a Moreira da Silva, feita por dois grandes nomes de nossa música.

sábado, outubro 17, 2009

Lançamento de livro



Vinis mofados, de Ramon Mello.
20/10 - 19h30
Shopping dos antigários
Siqueira Campos, 143 - sl. 44 - 2º andar

segunda-feira, outubro 05, 2009

Lançamento de livro

Imprensa Oficial do Estado de São Paulo
Casa Laura alvim
convidam para o lançamento do livro

Federico Garcia Lorca: Pequeno poema infinito
de José Mauro Brant e Antonio Gilberto




Quarta-feira, 7 de outubro de 2009
a partir das 19 horas

Livraria Dona Laura:
Av. Vieira Souto, 176 – Ipanema

No coração líquido da ilha

Ao colocar a imagem da bolha no centro nevrálgico das reflexões sobre a contemporaneidade, Peter Sloterdijk sublinha a intenção de revisar o fetichismo da substância, em um mundo cada vez mais desubstancializado. O filósofo nos dá a entender que não estamos mais apoiados na solidez, nem se pode mais procurar segurança numa verdade única. Tais ideias nos permitem uma leitura comparada do livro "O filho da mãe", de Bernardo Carvalho com o filme "The buble", de Eytan Fox.
A expressão aqui feita título foi tirada do livro de Bernardo de Carvalho. Ela, de fato, auxilia bastante qualquer tentativa de comentários sobre o livro em sua temática sobre as possibilidades das relações afetivas e/ou eróticas de hoje, quando o coração, sede mítica do bem-querer-romântico, passa a ser constantemente atacado em sua vulnerabilidade: os amores expressos. São os afetos frágeis em suas estruturas e sem substâncias, leves em seus estados, que engendram o texto de "O filho da mãe".
O fato é que, para fugirmos à ameaça de "explosão da bolha", ilhamo-nos, criamos sistemas imunológicos que só nos deixam seguros até o próximo segundo, quando muito. Isto está sugerido tanto no livro, quanto no filme "The Buble" nas suas cenas de fundamentalismo e extremismo religioso e na relação limite das personagens.
Nas duas obras, a ameaça de serem descobertos excita ainda mais os amantes, como a quaisquer amantes. O amor passa a ser associado ao risco e à guerra, no que há de mais eletrizante e aterrador nesta associação. No livro e no filme, temos o amor afetado e atravessado pela política: Enquanto no livro, a primeira noite de sexo acontece em um vagão de trem abandonado "como se não estivessem no epicentro da guerra"; no filme, as personagens de Fox se conhecem em uma fronteira de Tel Aviv - a "bolha" do título, por ser uma cidade que parece isolada do resto de Israel. Amores-ilhas e amores ilhados.
O sexo destes "amores entre escombros" é uma metáfora à trégua, com o desejo "deixando a realidade da guerra em suspenso". O amor é o "baixar da armas", talvez pela urgência. Por fim, as paisagens labirínticas dominam o leitor/espectador e as personagens, que fazem da guerra "um quarto em ruínas", ganham seus cúmplices.
Como sugere Sloterdijk, as esferas só chamam atenção quando rebentam. Ler o livro "O filho da mãe" e ver o filme "The Buble" fazem pensar que os homens são componentes de um intenso segredo relacional. Um doce mistério minando permanentemente.

Texto publicado no Jornal A União 03/10/2009

Entre outros, ouvi, vi e li, por estes dias:

= Peça Vestido de Noiva (Dir. Gabriel Vilela) - Ficou patente, apesar do ar de novidade, que o clown não soluciona a complexidade do texto de Nelson Rodrigues. Uma pena, pois, no todo, a peça é bonita.

= Filme Taking Woodstock (Dir. Ang Lee) - Incrível a fersatilidade deste diretor. O filme é lindo, em suas imagens, temas e trato com a história.
= Filme Dzi Croquettes (Dir. Tatiana Issa e Raphael Alvarez) - O doc. faz juz a este grupo/movimento/filosofia que redefiniu o maneira de pensar a arte e os (des)limites fronteiriços entre os gêneros sexuais.
= Livro Berkeley em Bellagio (João Gilberto Noll) - A narração é aflitiva, capta bem a personagem no limiar entre o real e o ficcional.
= Livro O quieto animal da esquina (João Gilberto Noll) - O melhor livro do Noll, que li.
= Livro Teatro (Bernardo Carvalho) - O modo como as histórias se tocam, se cruzam, ao mesmo tempo em que se distanciam é a grande chave deste trabalho incrível.
= Exposição Cartazes Cubanos = Todo estudante de arte precisa aprender um pouco com esta exposição. A qualidade das peças é absurda! Caixa Cultural Rio até 26 de outubro.

quinta-feira, setembro 24, 2009

sábado, setembro 19, 2009

Não Madame, não Satã

João Francisco dos Santos, o Madame Satã, mito da boemia carioca, é uma das figuras mais complexas e significativas para se pensar a sociedade brasileira. Temido e consagrado, ele colocou em xeque a moral de um longo período que o país viveu sob ditadura. Infelizmente não é este o Madame Satã que nos é apresentado na peça que leva seu nome, dirigida por Marcelo de Barros, em cartaz no Teatro do Sesi, no Rio de Janeiro. Logo na entrada do teatro, uma exposição com objetos pessoais do "homenageado", de precária comunicação visual (não há legendas em nenhuma foto ou objeto) e o mau uso das peças, já parece um prenúncio do que se vai assistir.
O espetáculo "Madame Satã", da Companhia Teatro Arte Dramática, estimula o preconceito e reforça a falta de informação sobre a figura pretensamente representada. As afetadas e caricatas atuações, que beiram o ridículo e desconstroem a força do mito, e as personagens criadas de forma rasa e pouco evocativa, decepcionam o espectador que procura algo mais do que uma sucessão de termos chulos que, gritados com insistência em certas cenas, conseguem adesão de apenas parte da plateia que ainda acredita neste expediente como forma de divertimento.
Há cenas constrangedoras, mal conduzidas e longas, esgarçando qualquer sentido contextual, e atores que não sabem o texto, assinado pelo diretor. Um texto, diga-se de passagem, construído sobre aspectos e marcas que se repetem a exaustão, buscando o riso fácil do público e eliminando qualquer possibilidade dramática.
Os movimentos e a (quase) inexistência de objetos de cena parecem pensados para uma peça de formatura de curso teatral, no pior sentido que isso possa ter. Somado a isso, a coreografia, se é que podemos chamar assim, dos dois narradores é primária, com gestos de falsa e desnecessária eloquência.A filipeta diz que o espetáculo foi montado em Paris, pela Universidade de Nice e, por mais inacreditável que possa parecer, já foi assistido por mais de 50 mil pessoas. Acreditamos que seja pelo exotismo de uma "macumba para turista ver", como rejeitava Oswald de Andrade, ao se referir à arte brasileira. Tudo no "espetáculo" parece propositadamente estimular um certo prazer sarcástico e preconceituoso de quem quer, efetivamente, manter-se alheio às discussões sobre preconceito e respeito à diferença.
O pernambucano Madame Satã não merecia isso.

Texto publicado no Jornal A União 19/09/2009

Entre outros, ouvi, vi e li, por estes dias:

= Exposição Argentina Hoy - Irretocável mostra do que de melhor há na contemporânea arte feita na Argentina. Até 22/11 no CCBB.
= Filme Up - Certamente um dos melhores filmes do ano. A comunicação visual é incrível e a personagens são muito bem construídas. A metáfora de "carregar a casa nas costas" versus a decisão de se libertar do "peso" do passado é trabalhada com texto impecável.
= Filme Drag me to Hell - É um bom suspense "classicão", não deve agradar ao público acostumado aos (d)efeitos dos filmes do gênero.
= Dança Appris par corps - A Cie. Unloup pour l'homme apresenta uma performance suave e agressiva nos momentos exatos. A relação quase simbiótica dos dois performans é decisiva na leveza dos movimentos que estão muito além dos gestos pesados e sem introspecção que costumeiramente se vê em espetáculos em que a força física é exigida.
= Show Pros que estão em casa (Tony Platão) - O setlist do show é muito bem montado, possibilitando Platão mostrar as várias competências de sua voz.
= Teatro Nervo craniano zero - É tudo tão canastrão que chega a ser divertido.
= Livro O filho da mãe (Bernardo Carvalho) - O cruzamento das narrativas, dos sentimentos, das perdas e conquistas, do verossímel ou não continua sendo o mote do autor, que agora usa a metáfora das ilhas (esferas) afetivas para construir sua história.
= Livro Hibridismos musicais de Chico Science & Nação Zumbi (Herom Vargas) - Pesquisa e boa leitura sobre a mistura antropofágica efetivada pelo movimento MangueBeat.

terça-feira, setembro 08, 2009

Orando sobre patins

No período escravocrata, no âmbito da religião, conviviam, não sem algum atrito, a ideologia do senhor e a do escravo. O catolicismo praticado aqui era uma religião doce, doméstica, de intimidade com os santos. Os padres se vangloriavam de conceder aos negros certas vantagens, como o direito de manifestar suas tradições nas festas do terreiro, como estudou Gilberto Freyre.
Nasciam então religiões miscigenadas como a Umbanda, com o São Jorge, católico, relacionado ao orixá Ogum, e Nossa Senhora, relacionada à Iemanjá, apontando para a transvaloração da estrutura simbólica do signo cultural trazido pelos escravos.

A canção "Feitiço" (Caetano Veloso) é um elemento importante para se pensar o sincretismo brasileiro. Ela é, de fato, uma repetição com distância crítica do samba "Feitiço da Vila", de Noel Rosa. O "Feitiço" de Caetano refrata a ideia da letra de Noel visto que, ao invés de ser um "feitiço sem farofa, sem vela e sem vintém", o "feitiço" tem farofa, tem vela e tem vintém. E inclui ainda as periferias e os excluídos sociais, saudando o movimento Manguebeat, a comunidade de Vigário Geral, o funk e o Candeal de Carlinhos Brown, proporcionando um "abraço acolhedor" nas manifestações culturais dos guetos.
Já na primeira estrofe da letra, percebemos a desconstrução realizada por Caetano no modelo de Noel Rosa, para quem, acreditamos, devido à visão marginal que o samba carregava à época, era preciso retirar e "limpar" os elementos típicos das crenças trazidas: "farofa", "vela" e "vintém".
Como sabemos, o samba em sua gênese é híbrido, sincrético, miscigenado. Para Antônio Risério: "Nossa população nunca foi obrigada a amputar antepassados. É majoritariamente mestiça. E se reconhece como tal". É assim que em "Feitiço" há um jogo de palavras que se "devoram" e demonstra a antropofagia cultural em que Zabé - redução amorosa para Isabel, a princesa - devora Zumbi, maior referência de comandante dos negros, no Brasil. E vice-versa.
Obviamente, quando Caetano faz releituras do cânone, não se trata de superação. O fato é que, em tempos de discursos racialistas é bom refletir, por exemplo, que, se a umbanda é um "branqueamento" do candomblé, também é o "enegrecimento" do catolicismo, resultando, por contrapartida, em algo distinto dos dois. "Deus está solto".

Texto publicado no Jornal A União em 05/09/2009

Entre outros, ouvi, vi e li, por estes dias:

= Mostra Saint-Étienne Cité du Design - Objetos criados tendo como foco a sustentabilidade do planeta. Até 27/09 CCBB.
= Mostra Casa Cor - O requinte da Casa Cor deste ano homenageia Burle Marx. Os ambientes estão muito bem distribuídos. No Jockey Club até 13/10.
= Exposição Madeleine Colaço - Belo e delicado trabalho de tapeçaria. Até 11/10 Caixa Cultural.
= Dança Suite Funk (Companhia Urbana de Dança) - A escolha da trilha é boa.
= Musical Hairspray - O país do carnaval merece uma apoteose como esta montagem dirigida por Miguel Falabella. Simone Gutierrez é um absurdo! Certamente a grande revelação do ano. No Teatro Casa Grande até 04/10.
= Show Jardim de Cactus (Dado Villa-lobos) - Som pesado e boas letras.
= CD Certa manhã acordei de sonhos intranquilos (Otto) - A melhor coisa que ouvi até agora em 2009. Valeu esperar tanto tempo por um trabalho (precioso e desigual) do Otto, artista que sabe entender a hibridação da cultura brasileira como ninguém.

terça-feira, agosto 25, 2009

Poetas hoje

A poesia contemporânea no Brasil avança em múltiplas direções e tem certamente como uma precursora a poesia concreta com suas investigações e soluções, que se originou de uma meditação crítica das formas da poesia. Ela fundiu, por exemplo, poesia, música e artes plásticas.
O poeta multimídia contemporâneo realça a importância de a poesia se incorporar às outras formas de expressão, tais como o cinema e o vídeo, para criar novas formas de linguagem. Mesmo que o livro de papel ainda resista bravamente.

Importa lembrar que, a tentativa de superar a superfície da página sempre foi uma obsessão dos poetas experimentalistas, e teve seu marco inicial com o poema "Um lance de dados", de 1897, de Mallarmé. Desde então, ocorreram as importantes contribuições de Pound, Joyce e Cummings, bem como a tradição das vanguardas européias e do experimentalismo oswaldiano. Até os suportes digitais e líquidos da atualidade.
De fato, a poesia, enquanto expressão, sempre buscou um formato ou "arquitetura" para expor-se como conhecimento registrado. Desde sua origem, o "registro" do texto poético sempre esteve condicionado às evoluções tecnológicas. Assim, a poesia migrou de sua forma oral para a escrita e desta para a impressa, até atingir o estágio atual.
Antes de ser manifestada na escrita, a poesia já requeria, portanto, uma forma de representação das ideias e dos fatos, pela codificação e consequente decodificação dos leitores. O poeta inscreve, arquiteta e diagrama sobre a superfície plana da página, da tela ou parte para suportes como o disco sonoro, o cinema e o vídeo, e a publicação digital, com recursos multimídia.
Este amplo painel de estilos caracteriza a mais recente antologia organizada por Heloisa Buarque de Holanda: "Enter - Antologia digital". No entanto, não é de se estranhar que na festa de lançamento tenha se perguntado onde comprar o livro. Parece que, em termos de recepção do que tem sido produzido, caminhamos em passos lentos.
Heloisa Buarque trata a questão com a mesma coragem com que ela tem tratado o "novo" na produção literária, há bastante tempo. Ela sabe o quanto fica cada vez mais difícil lidar com a velocidade e o efeito descartável que a era da mobilidade nos lança.
Sem dúvida, os 37 autores escolhidos não dão conta do todo, nem parece ter sido esta a pretensão da organizadora, mas constituem uma boa amostra sintomática do quão diversificada e irregular é a produção de poesia hoje, agora. Vale à pena ser acessado.


Texto publicado no Jornal A União em 22/08/2009

Entre outros, ouvi, vi e li, por estes dias:

= Peça Simplesmente Clarice Lispector (Beth Goulart) - O trabalho de atriz é no ponto. Falta dinâmica, mas nada que tire a qualidade do conjunto.
= Peça Vau da Sarapalha (Luiz Carlos Vasconcelos) - É uma das coisas mais belas que já vi em teatro. Assisti pela terceira vez e me emociono com se fosse a primeira.
= Peça Sonho de Outono (Emílio de Mello) - Complicado texto de Jon Fosse tem direção segura e encenação densa.
= Filme Brüno - Absurdo total! Rende boas risadas.
= Filme The hangover (Se beber, não case) - A melhor ressaca de toda! O roteiro é muito bom e cada cena traz elementos novos.
= CD Na veia (Simone) - Bom repertório e samba na veia.
= CD N9ve (Ana Carolina) - Ótimos arranjos e letras trabalhadas.

sexta-feira, agosto 14, 2009

Convite de lançamento

A Editora Zouk, a Livraria Prefácio e o autor
convidam para a noite de autógrafos do livro

O trágico no teatro de Federico García Lorca
de Claudio Castro Filho


Terça-feira, 18 de agosto de 2009
a partir das 19 horas
(Noite em que se completará mais um ano da morte de Lorca.)

Livraria Prefácio:
Rua Voluntários da Pátria, 39 – Botafogo