Depois de emocionar com o belo e sutil Delicada relação (Yossi & Jagger), de 2002, o diretor israelense Eytan Fox, apresenta-nos The Bubble, em cartaz no Brasil desde 17 de agosto.A história dos dois começa quando Noam, soldado do Exército Israelense, dando plantão numa fronteira, conhece o palestino Ashraf. Há um corte na narrativa e a história continua com Noam já
Bubble, “bolha” em português, pode ser a metáfora tanto de Tel Aviv, cidade que parece isolada do resto de Israel, quanto da república onde vivem os três amigos. Além das inquietações individuais de cada um.
A história de Noam e Ashraf poderia terminar com a simples troca de olhares.
Porém, Ashraf é obstinado e, tendo encontrado os documentos que o outro deixou cair num incidente na fronteira, busca e encontra Noam. Este, decepcionado com o Exército, trabalha agora numa loja de CD. A partir de então, os amigos de Noam passam a ajuda-los neste “amor explosivo”, outra metáfora que é filigranamente trabalhada ao longo do filme, até a cena final.Com sua situação ilegal em Israel, Ashraf acaba sendo "adotado" pelos amigos de Noam e vai trabalhar com nome falso, como garçom, do café que Yali é gerente. Destaque para a trilha sonora do café, como “Aganju”, na voz de Bebel Gilberto. Uma metáfora para um país “que canta e é feliz”?
Os quatro amigos, mais outros jovens, organizam uma festa rave pela paz. “Vamos dançar em vez de matar", grita Lulu ao distribuir flyers pelas ruas de Tel Aviv. A rave é um sucesso, tendo bebida e ecstasy como combustível.
No entanto, a ilegalidade de Ashraf é descoberta, fazendo-o sentir a tensão entre judeus e árabes. Ele foge, para desespero de Noam, que auxiliado pelos amigos de quarto, vai atrás do amado.
A direção e o roteiro trabalham de mãos dadas o tempo todo, aliados de uma fotografia precisa. Todavia na parte final o diretor se perde. Numa tentativa desnecessária – haja vista o excelente papel que o roteiro de Gal Uchovsky vinha desempenhando até então – de chocar, ou mesmo de tentar finalizar a história por um viés romântico-utópico, Fox descarrila o filme.
Mesmo assim, o conjunto da obra não fica prejudicado. A mensagem do amor que rompe fronteiras físicas e espirituais, a busca por soluções de questões históricas e políticas através da arte e da festa, a supremacia da paz sobre os preconceitos e a intenção de instigar à saída da “bolha” individual em que cada um de nós nos fechamos - tudo isso costurado por imagens e diálogos que funcionam - são bem trabalhadas.
Previsível, mas imperdível para qualquer público.
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