
Sem dinheiro para construir uma fossa para solucionar os problemas de saneamento da cidade, Marina (Fernanda Torres) e seu marido Joaquim (Wagner Moura) descobrem que existe uma verba pública de R$10 mil destinada à premiação de um vídeo de ficção. Mesmo sem saber sequer o que significa ficção, decidem fazer o vídeo para solucionar o problema do mau-cheiro. A partir desse mote o que se vê na telona é uma sucessão de atuações impecáveis.
Além de Fernanda e Wagner, estão no elenco Camila Pitanga (Silene – irmã de Marina que sonha em fazer sucesso como atriz), Lázaro Ramos (dono de uma produtora de vídeo na cidade vizinha), Bruno Garcia (Fabrício – namorado de Silene e aspirante a prefeito da cidade), Paulo José (Otaviano – pai de Marina e desiludido com a política) e Tonico Pereira (Antônio – empreiteiro e amigo de Otaviano).
Um monstro de luvas verdes, uma mocinha com aspirações de estrela e as precariedades de uma filmagem caseira são os ingredientes saborosos dessa mistura de atores talentosos. Embora o enredo seja conduzido pela obstinada Marina e seu marido, cada personagem tem seu peso bem distribuído e, ao longo do filme, vamos percebendo como o cinema muda todas as relações inter-pessoais.
É interessante assistir a um elenco que acostumamos ver interpretando papéis de cariocas, numa paisagem totalmente diferente. Diferente inclusive de grande parte dos filmes nacionais que nos últimos anos têm gravitado entre sudeste e nordeste.
Mas além do humor, que perpassa todos os seus 112 minutos de duração, a história desse filme-dentro-do-filme desenvolve-se sobre a questão: o Brasil tem dinheiro para cultura e não tem para o esgoto? Isto é: o dinheiro está sendo bem empregado ou o modelo de se fazer cultura no Brasil, só se preocupa com os fins? As interrogações passam pelas polêmicas leis de renúncia fiscal que financiam quase 100% da produção nacional, entre outras questões. O longa de Furtado não dá as respostas, mas sugere.
O filme acaba sendo uma ode inteligente e bem-humorada ao cinema e a cultura em geral, problematizando o fazer cultura num país como o Brasil, com tantas deficiências básicas em vários setores essenciais.

Um monstro de luvas verdes, uma mocinha com aspirações de estrela e as precariedades de uma filmagem caseira são os ingredientes saborosos dessa mistura de atores talentosos. Embora o enredo seja conduzido pela obstinada Marina e seu marido, cada personagem tem seu peso bem distribuído e, ao longo do filme, vamos percebendo como o cinema muda todas as relações inter-pessoais.

Mas além do humor, que perpassa todos os seus 112 minutos de duração, a história desse filme-dentro-do-filme desenvolve-se sobre a questão: o Brasil tem dinheiro para cultura e não tem para o esgoto? Isto é: o dinheiro está sendo bem empregado ou o modelo de se fazer cultura no Brasil, só se preocupa com os fins? As interrogações passam pelas polêmicas leis de renúncia fiscal que financiam quase 100% da produção nacional, entre outras questões. O longa de Furtado não dá as respostas, mas sugere.
O filme acaba sendo uma ode inteligente e bem-humorada ao cinema e a cultura em geral, problematizando o fazer cultura num país como o Brasil, com tantas deficiências básicas em vários setores essenciais.
Um comentário:
Leo, a Bravo! do mês passado fez uma matéria sobre esse filme com o foco no roteiro dele (e na profissionalização da produção de roteiros do cinema nacional), já que o diretor Jorge Furtado se considera um "roteirista que dirige" porque não quer ver os seus roteiros serem estragados por outros diretores (o que, segundo ele, já ocorreu).
Vale a pena dar uma olhada.
Abs!
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