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quarta-feira, junho 22, 2011

Eduardo Dussek

Eduardo Dussek
Gravação do DVD Dussek é show
Teatro Casa Grande
21/06/2011

segunda-feira, junho 20, 2011

Alcione

Alcione
Teatro Odylo Costa Fillho
20/06/2011

quinta-feira, junho 16, 2011

A suprema felicidade

Finalmente assisti ao filme A suprema felicidade, de Arnaldo Jabor.
Acho que nunca fiquei tão constrangido numa experiência estética como diante das cenas de nudez deste filme.
A semi-nudez das personagens das competentes atrizes Maria Flor, Mariana Lima e Tammy Di Calafiori em nada acrescentam ao desenvolvimento das ações fílmicas.
Os seios surgem tão gratuitamente desnudados que nem as próprias atrizes sabem como se portar nas cenas. Que dirá os espectadores!
É constrangedor e se foco neste ponto é porque isso, sob diferentes aspectos, se repete ao longo do filme: seja nas sequências dramáticas pintadas com tintas pesadas demais resultando no riso do descrédito, seja até mesmo na interpretação de Marco Nanini que parece perdido sem saber para onde direcionar a personagem que lhe coube.
A fotografia que tenta oferecer um clima forçado de época, e adensador do lirismo superficial, choca-se com locações desconectadas do tempo narrativo.
Aliás, os três(?) tempos narrativos parecem tão iguais em sua apresentação individual que fica difícil saber qual deles está sendo exposto.
Enfim, a melhor coisa que o filme A suprema felicidade oferece é mesmo a participação de Elke Maravilha: uma grande artista que ainda tem muito a oferecer à arte.

domingo, junho 12, 2011

São João Carioca

São João Carioca
Quinta da Boa Vista
12/06/2011

segunda-feira, junho 06, 2011

Macho toys

A série Macho Toys, de Fábio Carvalho, em exposição na Galeria Anna Maria Niemeyer até 18 de junho, investe no território militar para promover um deslocamento sutil nos núcleos daquilo que somos levados a entender como sendo as formas ideais do masculino.
Em Macho toys - n° 24, por exemplo, utilizando brinquedos do universo dos meninos (soldados, helicópteros e carros de guerra) em contato com o colorido das flores de plástico, Fábio Carvalho não feminiliza a imagem dos soldados de brinquedo, como pode pensar um visitante de primeira mirada.
Ao contrário, o artista restitui ao macho, ao colocá-lo, em suas virilidade e agressividade potentes, sobre pires de porcelanas, um poder que ele (o homem) outrora ostentava. Sim, houve um tempo em que colecionar porcelana era "coisa de homem" - emblema de poder: quanto mais florida a louça, mais rico era o dono - e isso não tinha, em princípio, relação com a orientação sexual.
O estranhamento em Macho toys vem, portanto, da intervenção semântica que Fábio Carvalho imprime nos conceitos culturalmente definidores de preconceitos e dores. A criação de um dispositivo de terceira margem - de frágil-vigor: a porcelana como suporte da agressividade - quer mais estimular a reflexão sobre os acordos íntimos e sociais daquilo que "serve para o homem" do que travestir o masculino em feminino.
Outro exemplo: em Dos que partem, aos que ficam (Santuário de ninfas II), Fábio Carvalho reproduz retratos de soldados da Primeira Guerra Mundial - imagens que os próprios soldados faziam uns dos outros antes da partida. Há aqui uma flagrante virilidade (composta pelo vestuário, pela pose do fotografado e pelo imaginário de quem olha) e, ao mesmo tempo, uma ingenuidade diante do terror iminente, que, emolduradas pelos decalques florais e transfer ouro do artista, complexifica as posturas, as definições nítidas do macho que pousa para outro macho que, por sua vez, capta a beleza do companheiro. Fábio Carvalho percebe, e trabalha sobre, essa dobradiça do desejo - o que pode e o que não pode ser -, desautomatizando o olhar do visitante.
Macho toys pode até ser lida como arte gay, mas isto seria uma redução tacanha das questões que a série apresenta. No fundo, amamos a mentira da maquiagem (das representações que construímos para nossa segurança). Quando floral e/ou florido, o homem se desassemelha do homem? Eis a pergunta que serpenteia a mente do visitante da exposição Macho toys.

segunda-feira, maio 23, 2011

Pedro Sá e Domenico Lancellotti

Pedro Sá e Domenico Lancellotti
Andy Warhol 16mm
23/05/2011
CAIXA Cultural RJ

sexta-feira, maio 20, 2011

Bartebly, o escriturário

Bartleby, o escriturário foi escrito por Herman Melville em 1853, mas ainda hoje causa estranhamento: aquele incômodo nos sentidos - que ora é traduzido pelo riso, ora pela tensão.
Pré Kafka, Dickens e Dostoievski, Bartleby representa o indivíduo não adaptável: "Prefiro não (I would prefer not to)", responde a personagem a qualquer proposta de mudança no cotidiano paciente e passivo que criou para si.
"O que conta para um grande romancista, Melville, Dostoievski, Kafka ou Musil, é que as coisas permaneçam enigmáticas e, contudo, não-abstratas", diz Deleuze: apontando a desnecessidade de substanciação das coisas. O mistério de Bartebly permanece irrevelável, mas, ao mesmo tempo, soa radicalmente próximo - íntimo - de quem lhe observa.
Com adaptação e direção de João Batista, em cartaz na Casa de Cultura Laura Alvim, Bartebly, o escriturário consegue apresentar os mundos no mundo (conformado e contundente) do copista Bartebly: cópia, aqui, no sentido de fecundidade (copiosamente), aludindo à própria complexidade da personagem.
Cenário (Doris Rollemberg) e figurino (Mauro Leite) são funcionais para a sugestão estética e as atuações de Duda Mamberti, Gustavo Falcão, Claudio Gabriel, Eduardo Rieche e Rafael Leal se harmonizam no contexto cênico.
Embora tenha algumas cenas sublinhadas em excesso, enfadando a subjetivação do espectador, Bartleby, o escriturário alcança o objetivo de inclassificar o indefinível: as motivações do definhamento progressivo do homem: de Bartebly.

Childhood Brasil

Show em benefício da Childhood Brasil
17/05/2011
Theatro Municipal RJ
Maria Gadú
Caetano Veloso
Djavan
Sandy, Ana Botafogo e Thiago Soares
Milton Nascimento
Seu Jorge, Sandra de Sá e Mangueira do amanhã
Seu Jorge
Maria Bethânia

sábado, maio 14, 2011

Déa Trancoso

Déa Trancoso
Serendipity
13/05/2011
Teatro de Arena da CAIXA Cultural

sexta-feira, maio 06, 2011

Rabbit hole

Rabbit hole - que no Brasil recebeu o medonho título Reencontrando a felicidade - é o mais recente filme do ultracontemporâneo diretor John Cameron Mitchell.
Dito a grosso modo: se no filme Hedwig a personagem-título vivia a solidão pelo viés do confronto consigo mesma e do embate pela afirmação de si na sociedade e no filme Shortbus as personagens experimentaram a solidão diante da profusão de opções que a vida moderna oferece, em Rabbit hole John Mitchell investe na ausência física do filho morto para tematizar a intraduzibilidade da dor.
No papel da mãe (Becca) que perde o filho e se aproxima do (acidental) assassino para tentar conviver com a dor, Nicole Kidman valoriza cada palavra do texto com uma performance de desamparo comovente e sem pieguismo.
Por sua vez, Aaron Eckhart - interpretando o pai (Howie) - compõe, junto com Nicole, o casamento de forças contrárias, porém complementares: a fúria e a apatia; o movimento e o repouso. É no equilíbrio destas potências - com cada um vivendo o luto à sua maneira, mas contaminando às ações alheias - que John Cameron Micthell coloca o seu filme, cujo roteiro trabalha com aquela tragédia que mais parece ferrugem: vai roendo aos poucos (e por dentro) cada um dos envolvidos.
Em nenhum momento as personagens parecem querer superar a dor, pelo contrário - afinal, como superar a morte de um filho? - elas tentam conviver e sobreviver na dor: ora com o perdão, ora com o rancor que a tudo invadem, levando-as a criar muletas salvadoras: a tal Rabbit hole - bolhas íntimas forjadamente protetoras: vulneráveis a qualquer vento mais forte.
Nestes nossos tempos em que é proibido sofrer, Rabbit hole (adaptação da peça de David Lindsay-Abaire) é lento e difícil como todo luto, mas necessário.

quarta-feira, abril 20, 2011

A escola do escândalo

A vida alheia parece mesmo - desde sempre - ser melhor do que a nossa. Como consequencia disso, alimentamos maledicências, fofocas e, claro, a industria de celebridades, e enchemos as bancas com revistas e entupimos nossas caixas postais com spans de mensagens afins à mancheia.
Ir à peça A escola do escândalo - até 06/06 no Teatro Tom Jobim - é ficar diante de um espelho: literalmente, haja vista que há 3 enormes objetos que fazem as vezes de espelho refletindo a plateia.
Aliás, em tempos de cenários cada vez mais simplórios, merece destaque a exuberância do cenário assinado por Lia Renha e o luxo do figurino de Emília Duncan: com soluções cênicas dignas das classes mais abastadas de Londres, à época.
O humor ferino e sofisticado do texto de Richard B. Sheridan (1751-1815) recebeu do diretor Miguel Falabella o tom necessário para brilhar em palcos brasileiros. Um jogo atualíssimo de máscaras sociais é desdobrado com atuações irretocáveis.
Aliás, com um elenco estelar - Ney Latorraca, Guida Vianna, Maria Padilha, Rita Elmôr, Jacqueline Laurence, Bruno Garcia, Chico Tenreiro, Armando Babaioff, Edi Botelho e Bianca Comparato - talvez isso fosse tarefa fácil, mas não é.
Por isso, é importante destacar o sensível investimento individual de cada um para a harmonia do todo: um verdadeiro trabalho de equipe.
Se a primeira parte - pelo excesso de justificativas para o que virá - parece morosa, depois do rápido intervalo A escola do escândalo diz, de fato, a que veio: desestabilizar nossas certezas.

terça-feira, abril 19, 2011

A estupidez

Em A estupidez, em cartaz no CCBB-RJ até 29/05, cada segmento tem uma dinâmica própria, porém, e isso faz a graça lúdica da peça, tudo se mistura: adensando o fato de hoje vivermos em espaços esponjosos e fatalmente violados e afetados pelas ações do vizinhos.
O jogo das aparições das personagens - 24 para 5 excelentes atores (Alcemar Vieira, Cristina Flores, José Karini, Letícia Isnard e Saulo Rodrigues) - do texto de Rafael Spregelburd, recebe o exato tratamento kitsh e tarantino que merece.
Aliás, importa apontar a competência dos atores: todos no mesmo nível. Com Alcemar Vieira e Letícia Isnard marcando ainda mais as diferenças entre cada personagem que interpretam.
A iluminação está na perfeita harmonia com a execução da trilha sonora. Os figuros e o cenário dão o clima afetado e exagerado que o todo pede. E as soluções cênicas merecem um destaque a parte.
Há uma complexa justaposição de cenas - um delicioso jogo de longe-perto, claro-escuro: enquanto uma ação acontece no plano da superfície (próximo da boca de cena), outra ação - quase em câmera lenta - é antecipada no fundo. Digo antecipada porque, como se o palco girasse em 180º, a ação vem para perto dos olhos do público. Um recurso realmente muito bem aproveitado pelo diretor Ivan Sugahara e muito bem executado pelos atores.
A longa duração da peça passa quase despercebida, tamanha é a capacidade de atenção que ela pede e proporciona. Diversão garantida!

segunda-feira, abril 18, 2011

Eu sou o número quatro

Eu sou o número quatro é uma mistura simpática de High scholl com a série Crepúsculo.
Se o protagonista John Smith - o tal número 4 do título e exilado do planeta Lorien - é tão inexpressivo quanto o famoso vampiro da não menos famosa série, as cenas de ação tem desenvolvimentos compensatórios.
O texto e as interpretações em geral são rotineiras: caem nos chavões caretas que empesteiam tais filmes pretensamente adolescentes.

sexta-feira, abril 15, 2011

Rio

O Rio de janeiro não é e é aquilo que vemos em Rio. Não é, e nem precisa ser, porque estamos no campo da intervenção, da criação. E é porque potencialmente desejamos que a cidade seja aquele lugar divino, maravilhoso.
Seja como for, Rio é um deslumbre: um show para os olhos e demais sentidos; uma sincera - e alheia ao ressentimento tolo - festa da alegria.
Em Rio, o Rio de janeiro é mais do que uma cidade, é o tempo-espaço que revela, vela e desvela fernandos (garotos sem pai, nem mãe: futuros rapazes maus?!) e dentista que usa fio dental para fazer o carnaval e machões que se travestem de tangas douradas e chocalhos amarrados na canela para brincar com o avesso de si.
Se temos o traficante de aves (de nossas belezas naturais), temos também o pesquisador ingênuo e romântico fazendo sua parte para reverter o mal instalado.
O Rio de janeiro de Rio é tão mutante - paisagem tão movediça quanto inspiradora - quanto o Rio de janeiro com o qual nos deparamos na vida "real".
Mas, claro, em Rio, o Rio de janeiro é muito mais: há uma emocionante retomada de uma delicadeza perdida. Por vezes, parece que estamos diante de um filme da Atlântida: ufanista porque apaixonado e querendo que, de fato, o Rio "real" seja daquele jeito. Ou seja, que o Rio de Janeiro seja para o morador da cidade o mesmo que é para o turista: praia e sol, Maracanã, carnaval e futebol deslumbrantes e pacificados (sem falsas promessas). E, claro, a trilha sonora tem parte importante no sucesso do show: é a apoteose do jeito de corpo carioca!
Carlos Saldanha investe nas potências, contrastes e signos mais intrínsecos da cidade - dos quais muitas vezes nos envergonhamos: máscaras impostas pela emergência social tacanha.
O que é o cachorro babão Luiz vestido de Carmen Miranda (nosso espelho inconfesso) senão a afirmação de que podemos ser e ter muito mais? O que são Nico e Pedro senão uma mostra da parceria malandra que nos faz ser e ter muito mais do que a realidade oferece?
A felicidade (e a ponta de orgulho) que sentimos ao sair de Rio precisa dar força para que amemos e deixemos a cidade ser o que ela é: capital sangue-quente do melhor e do pior do Brasil; o lixo que consome e que tem nele o maná da criação.

segunda-feira, abril 11, 2011

Incêndios

Quantas dobras montam uma existência? Quantas cicatrizes cabem em um corpo? Quantas verdades podemos suportar?
Estas perguntas ficam dando voltam no expectador que sai da sessão de Incêndios. Dirigido por Denis Villeneuve, o filme tem tomadas que mais parecem clips do Radiohead. Aliás, para intensificar isso, é o som do grupo que se ouve ao fundo várias vezes. Esta é a primeira dica para as muitas voltas - justaposição radicalmente linda de presente e passado - complexificadoras que Incêndios irá apresentar.
Agindo sobre um tema bem novelão, assumindo o humano no melodrama - a busca do pai e do irmão desconhecidos - a história dos gêmeos Simon (Maxim Gaudette) e Jeanne (Mélissa Désormeaux-Poulin) se embrenha por territórios físicos e espirituais desconfortantes.
Dizer qualquer outra coisa da narrativa é entregar demais: só adianto que um mais um, no filme, não é dois, é um.
A fotografia e as atuações são das mais arrebatadoras que o cinema contemporâneo nos ofereceu recentemente. Tudo é, ora extremamente seco, ora assustadoramente úmido. Em Incêndios, todas as certezas são postas em prova: em especial as convenções entre privado e público.
Ao final, o canto da "mulher que canta", que guarda e sustenta em si a dor de todo um pensamento cultural, quer salvar-nos da terrível certeza: nada é tão simples quanto parece ser.
Sei que este adjetivo perdeu sua força, mas Incêndios é, de fato, um filme surpreendente.

sexta-feira, abril 08, 2011

O MASSACRE DE REALENGO

O massacre de Realengo
[soneto 4141]
Glauco Mattoso

“Massacre” se chamou “da Candelaria”.
Chamou-se de “massacre” o “de Vigario
Geral”. Mas comparar? Ha quem compare o
que occorre em Realengo, em faixa etaria?

Qualquer outra tragedia é secundaria,
embora jamais haja um justo horario
que a Morte nos reserve e seja vario
o caso em cada agencia funeraria.

Creanças, quando victimas, são serio
motivo à reflexão, pois illusorio
se torna o Amor christão num cemiterio.

Um louco… Um attemptado… Caso chore o
Pae pelo Filho e a crença recupere o
espirito da gente, é o Céu inglorio?

terça-feira, abril 05, 2011

Ângela Ro Ro

Ângela Ro Ro
05/04/2011
Teatro Rival

segunda-feira, abril 04, 2011

Invasão do mundo: batalha de Los Angeles

Tirando o fato de que o "inimigo" são alienígenas ultra armados e colerizados - aliás, como costumeiramente são representados - o filme Invasão do mundo: batalha de Los Angeles pode ser visto como mais um episódio desses programas de TV que acompanham a rotina de policiais, bombeiros, médicos e tais.
A câmera-personagem reforça esta leitura e entrega o filme desde as primeiras cenas. Além dos momentos de humanização das personagens: como o garoto que perde o pai - um civil capaz de um gesto heróico; as trocas de olhares lânguidos entre Aaron Eckhart (muito bom como o sargento Michael Nantz) e uma bela sobrevivente; e os flashes da vida pessoal de cada personagem.
Criando a tal atmosfera de um registro "documental", o diretor Jonathan Liebesman investe em um filme forjadamente sem roteiro - para o bem e para o mal: como se tudo aparecesse "ao acaso": seguindo o fluxo dos acontecimentos. O que desfavorece o aprofundamento de qualquer ação das personagens, por exemplo. E limita os atores.
Em Invasão do mundo, a lei de ação e reação dita a narrativa. Daí o uso de tomadas longas. E, claro, como não poderia deixar de ser, a glorificação do herói: com direito a câmeras posicionadas abaixo da personagem apontando sua bravura sobre tudo e todos.
Por fim, importa dizer: Invasão do mundo é visualmente interessante: quase monocromático.

domingo, abril 03, 2011

Daniela; Elba; Paula; e Margareth

Daniela Mercury, Elba Ramalho,
Paula Lima e Margareth Menezes
Show 150 anos CAIXA
02/04/2011
RioCentro

sábado, abril 02, 2011

As centenárias

Nordestino não gosta de ver carioca e/ou paulista representando sua gente. Não se trata de identificação, nem purismo. A questão é que na maioria das vezes tudo descamba para uma caricatura tacanha: que apenas busca o riso fácil, não dos nordestinos, mas dos próprios cariocas e paulistas. Como a "senhora do destino" feita por Susana Vieira, por exemplo.
Por isso meu completo encantamento com o texto de Newton Moreno para a excelente As centenárias. Aliás, Moreno também é autor de Maria do caritó, outro excelente espetáculo.
Claro que, sem uma montagem e atores à altura nem mesmo um texto excepcional sobrevive no palco.
Daí destacar em As centenárias o trabalho de Marieta Severo e Andréa Beltrão. A primeira como a casmurra e astuta Socorro e a segunda como a excessivamente alegre e ingênua Zaninha.
Ambas com preparação vocal e corporal exatas. Ambas trabalhando sobre a tênue fronteira que separa a caricatura desrespeitosa e débil e a construção orgânica e lúcida de seus papéis.
Merece destaque, ainda, o impactante cenário: um fundo feito por bonecos tão diversos (em tamanho e tipos) quanto os corpos chorados e cantados pelas duas carpideiras.
Quem tem o mínimo de conhecimento de Nordeste se emociona e se alegra. O riso é de festa e celebração, pelo teatro bem feito e por aquelas mulheres cuja função, tão importante para a cultura oral e vocal, perde-se no progresso vazio.
Só impliquei com a solução cênica (música e picadeiro) dada para o fato da morte ser a mestre de cerimônia - que tudo conduz - do espetáculo. Mas isso não interfere no brilhantismo arrebatador de As centenárias.