
Estas perguntas ficam dando voltam no expectador que sai da sessão de Incêndios. Dirigido por Denis Villeneuve, o filme tem tomadas que mais parecem clips do Radiohead. Aliás, para intensificar isso, é o som do grupo que se ouve ao fundo várias vezes. Esta é a primeira dica para as muitas voltas - justaposição radicalmente linda de presente e passado - complexificadoras que Incêndios irá apresentar.
Agindo sobre um tema bem novelão, assumindo o humano no melodrama - a busca do pai e do irmão desconhecidos - a história dos gêmeos Simon (Maxim Gaudette) e Jeanne (Mélissa Désormeaux-Poulin) se embrenha por territórios físicos e espirituais desconfortantes.
Dizer qualquer outra coisa da narrativa é entregar demais: só adianto que um mais um, no filme, não é dois, é um.
A fotografia e as atuações são das mais arrebatadoras que o cinema contemporâneo nos ofereceu recentemente. Tudo é, ora extremamente seco, ora assustadoramente úmido. Em Incêndios, todas as certezas são postas em prova: em especial as convenções entre privado e público.
Ao final, o canto da "mulher que canta", que guarda e sustenta em si a dor de todo um pensamento cultural, quer salvar-nos da terrível certeza: nada é tão simples quanto parece ser.
Sei que este adjetivo perdeu sua força, mas Incêndios é, de fato, um filme surpreendente.
Um comentário:
Leo, nem sei se o filme já está passando aqui em JP. Só sei que teu texto me deixou com mais vontade ainda de assisti-lo. Bjs.
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