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segunda-feira, julho 04, 2011

São João em São Paulo

Para ser lido ao som de "Não existe amor em SP", de Criolo:



Este São João eu decidi fazer algo diferente. Ao invés de ir para Campina Grande, eu decidi ir para São Paulo e hospedar-me na Avenida São João: perto dos buxixos, de onde dá para fazer vários passeios a pé.

Depois de deixar a pouca bagagem no quarto do hotel, cuja janela proporcionava uma vista privilegiada da famosa avenida e do topo do COPAN, fomos à feira cultural LGBT, no Vale Anhangabaú.

Mais tarde jantamos no shopping Pátio Higienópolis onde assistimos à peça Mambo italiano, no Teatro Folha.

Eu já tinha visto o filme e gostado bastante. Apesar da imaturidade cênica dos atores mais novos, a peça fez uma competente adaptação do roteiro para os palcos paulistas - dando verossimilhança à história por fazer as personagens transitarem por lugares de são Paulo. Mais o destaque mesmo é Jussara Freire: senhora das cenas.

A Galeria do Rock virou destino certo, às vezes que visito São Paulo. Procurar cd's fora de catálogo em uma de suas lojas - desta vez eu trouxe comigo a trilha sonora do filme Orfeu, entre outros; comprar camisetas confeccionadas por uma de suas pequenas grifes, como a Santa Hell; e mesmo passear por um espaço em que várias tribos confluem é um programa pra lá de bacana e signo paulista.

Outro destaque foi ver in loco a restauração do Teatro Municipal. Ficou lindo, como é e merece ser. Além de passear pelas ruas do Centro, cheias de sebos de livros e discos, arquitetura ímpar e bons restaurantes. Por falar em comida, indico (com louvor) a Doceria Holandesa - Av. Vieira de Carvalho: entre o Largo do Arouche e a Praça da República - e suas tortas e cafés tentadores.

Impossível não ir à feira na Liberdade e almoçar no Comida Caseira: restaurante que faz jus ao nome e que serve uma feijoada - para esquentar os maravilhosos dias frios de São Paulo - farta e saborosa. Depois disso, bater pernas na Av. Paulista - visitar a Casa das Rosas; as livrarias Cultura, Fnac, Martins Fontes e a exposição do arquiteto, cenógrafo, figurinista e artista visual Flávio Império, no Itaú Cultural.

Sem contar as bordejadas noturnas entre o trecho que vai da Av. São João e a Praça Franklin Roosevelt: reduto certo de gente interessante e interessada. Desta vez, ao invés do Espaço dos Satyros, assistimos - às 24h de um sábado - à peça Prego na testa, no Espaço Parlapatões, onde Hugo Possolo faz uma contundente análise sintomática de nosso jeito contemporâneo de ser. Isso depois de comer no bacanérrimo Rose Velt, restaurante e cachaçaria que fica na mesma praça.

A exposição Os anos Grace Kelly - princesa de Mônaco, na Fundação Armando Alvares Penteado, deu-nos uma aula daquilo que deve ser a excelência de uma montagem expositiva. As soluções arrojadas encontradas pelos curadores e cenógrafos eram um deslumbre: tanto faziam jus à pompa do tema, quanto enchia os sentidos dos visitantes de desejo.

No MASP, a exposição 6 bilhões de outros apresentava vídeos/depoimentos de pessoas comuns e dos mais diversos signos sociais de todos os cantos do mundo. Uma impactante cartografia da palavra falada que revela nossas semelhanças e diferenças.

Já no Museu Lasar Segall, fotos de Andreas Feininger nos mostravam a Nova York dos anos 40.

E não poderia faltar uma passada em uma das feiras de antiguidade de São Paulo. Escolhemos dessa vez a feira do Bixiga, na Praça Dom Orione, onde tive a feliz alegria de encontrar um LP Araçá azul, de Caetano Veloso, dando sopa para mim. Não resisti às piscadelas e sai da feira com o LP debaixo do braço. Estávamos indo para a XV Parada do Orgulho LGBT, na Av. Paulista, e nada melhor do que levar "um disco para entendidos" para um evento como este.

Ou seja, de São João só a avenida onde nos hospedamos mesmo. Além do milho verde cozinho, amanteigado e cortado em prato plástico comprado para aquecer as noites frias do junho paulista.

terça-feira, junho 28, 2011

Adriana Calcanhotto

Adriana Calcanhotto
Palco MPB - Micróbio do samba
Teatro Nelson Rodrigues
27/06/2011

quarta-feira, junho 22, 2011

Eduardo Dussek

Eduardo Dussek
Gravação do DVD Dussek é show
Teatro Casa Grande
21/06/2011

segunda-feira, junho 20, 2011

Alcione

Alcione
Teatro Odylo Costa Fillho
20/06/2011

quinta-feira, junho 16, 2011

A suprema felicidade

Finalmente assisti ao filme A suprema felicidade, de Arnaldo Jabor.
Acho que nunca fiquei tão constrangido numa experiência estética como diante das cenas de nudez deste filme.
A semi-nudez das personagens das competentes atrizes Maria Flor, Mariana Lima e Tammy Di Calafiori em nada acrescentam ao desenvolvimento das ações fílmicas.
Os seios surgem tão gratuitamente desnudados que nem as próprias atrizes sabem como se portar nas cenas. Que dirá os espectadores!
É constrangedor e se foco neste ponto é porque isso, sob diferentes aspectos, se repete ao longo do filme: seja nas sequências dramáticas pintadas com tintas pesadas demais resultando no riso do descrédito, seja até mesmo na interpretação de Marco Nanini que parece perdido sem saber para onde direcionar a personagem que lhe coube.
A fotografia que tenta oferecer um clima forçado de época, e adensador do lirismo superficial, choca-se com locações desconectadas do tempo narrativo.
Aliás, os três(?) tempos narrativos parecem tão iguais em sua apresentação individual que fica difícil saber qual deles está sendo exposto.
Enfim, a melhor coisa que o filme A suprema felicidade oferece é mesmo a participação de Elke Maravilha: uma grande artista que ainda tem muito a oferecer à arte.

domingo, junho 12, 2011

São João Carioca

São João Carioca
Quinta da Boa Vista
12/06/2011

segunda-feira, junho 06, 2011

Macho toys

A série Macho Toys, de Fábio Carvalho, em exposição na Galeria Anna Maria Niemeyer até 18 de junho, investe no território militar para promover um deslocamento sutil nos núcleos daquilo que somos levados a entender como sendo as formas ideais do masculino.
Em Macho toys - n° 24, por exemplo, utilizando brinquedos do universo dos meninos (soldados, helicópteros e carros de guerra) em contato com o colorido das flores de plástico, Fábio Carvalho não feminiliza a imagem dos soldados de brinquedo, como pode pensar um visitante de primeira mirada.
Ao contrário, o artista restitui ao macho, ao colocá-lo, em suas virilidade e agressividade potentes, sobre pires de porcelanas, um poder que ele (o homem) outrora ostentava. Sim, houve um tempo em que colecionar porcelana era "coisa de homem" - emblema de poder: quanto mais florida a louça, mais rico era o dono - e isso não tinha, em princípio, relação com a orientação sexual.
O estranhamento em Macho toys vem, portanto, da intervenção semântica que Fábio Carvalho imprime nos conceitos culturalmente definidores de preconceitos e dores. A criação de um dispositivo de terceira margem - de frágil-vigor: a porcelana como suporte da agressividade - quer mais estimular a reflexão sobre os acordos íntimos e sociais daquilo que "serve para o homem" do que travestir o masculino em feminino.
Outro exemplo: em Dos que partem, aos que ficam (Santuário de ninfas II), Fábio Carvalho reproduz retratos de soldados da Primeira Guerra Mundial - imagens que os próprios soldados faziam uns dos outros antes da partida. Há aqui uma flagrante virilidade (composta pelo vestuário, pela pose do fotografado e pelo imaginário de quem olha) e, ao mesmo tempo, uma ingenuidade diante do terror iminente, que, emolduradas pelos decalques florais e transfer ouro do artista, complexifica as posturas, as definições nítidas do macho que pousa para outro macho que, por sua vez, capta a beleza do companheiro. Fábio Carvalho percebe, e trabalha sobre, essa dobradiça do desejo - o que pode e o que não pode ser -, desautomatizando o olhar do visitante.
Macho toys pode até ser lida como arte gay, mas isto seria uma redução tacanha das questões que a série apresenta. No fundo, amamos a mentira da maquiagem (das representações que construímos para nossa segurança). Quando floral e/ou florido, o homem se desassemelha do homem? Eis a pergunta que serpenteia a mente do visitante da exposição Macho toys.

segunda-feira, maio 23, 2011

Pedro Sá e Domenico Lancellotti

Pedro Sá e Domenico Lancellotti
Andy Warhol 16mm
23/05/2011
CAIXA Cultural RJ

sexta-feira, maio 20, 2011

Bartebly, o escriturário

Bartleby, o escriturário foi escrito por Herman Melville em 1853, mas ainda hoje causa estranhamento: aquele incômodo nos sentidos - que ora é traduzido pelo riso, ora pela tensão.
Pré Kafka, Dickens e Dostoievski, Bartleby representa o indivíduo não adaptável: "Prefiro não (I would prefer not to)", responde a personagem a qualquer proposta de mudança no cotidiano paciente e passivo que criou para si.
"O que conta para um grande romancista, Melville, Dostoievski, Kafka ou Musil, é que as coisas permaneçam enigmáticas e, contudo, não-abstratas", diz Deleuze: apontando a desnecessidade de substanciação das coisas. O mistério de Bartebly permanece irrevelável, mas, ao mesmo tempo, soa radicalmente próximo - íntimo - de quem lhe observa.
Com adaptação e direção de João Batista, em cartaz na Casa de Cultura Laura Alvim, Bartebly, o escriturário consegue apresentar os mundos no mundo (conformado e contundente) do copista Bartebly: cópia, aqui, no sentido de fecundidade (copiosamente), aludindo à própria complexidade da personagem.
Cenário (Doris Rollemberg) e figurino (Mauro Leite) são funcionais para a sugestão estética e as atuações de Duda Mamberti, Gustavo Falcão, Claudio Gabriel, Eduardo Rieche e Rafael Leal se harmonizam no contexto cênico.
Embora tenha algumas cenas sublinhadas em excesso, enfadando a subjetivação do espectador, Bartleby, o escriturário alcança o objetivo de inclassificar o indefinível: as motivações do definhamento progressivo do homem: de Bartebly.

Childhood Brasil

Show em benefício da Childhood Brasil
17/05/2011
Theatro Municipal RJ
Maria Gadú
Caetano Veloso
Djavan
Sandy, Ana Botafogo e Thiago Soares
Milton Nascimento
Seu Jorge, Sandra de Sá e Mangueira do amanhã
Seu Jorge
Maria Bethânia

sábado, maio 14, 2011

Déa Trancoso

Déa Trancoso
Serendipity
13/05/2011
Teatro de Arena da CAIXA Cultural

sexta-feira, maio 06, 2011

Rabbit hole

Rabbit hole - que no Brasil recebeu o medonho título Reencontrando a felicidade - é o mais recente filme do ultracontemporâneo diretor John Cameron Mitchell.
Dito a grosso modo: se no filme Hedwig a personagem-título vivia a solidão pelo viés do confronto consigo mesma e do embate pela afirmação de si na sociedade e no filme Shortbus as personagens experimentaram a solidão diante da profusão de opções que a vida moderna oferece, em Rabbit hole John Mitchell investe na ausência física do filho morto para tematizar a intraduzibilidade da dor.
No papel da mãe (Becca) que perde o filho e se aproxima do (acidental) assassino para tentar conviver com a dor, Nicole Kidman valoriza cada palavra do texto com uma performance de desamparo comovente e sem pieguismo.
Por sua vez, Aaron Eckhart - interpretando o pai (Howie) - compõe, junto com Nicole, o casamento de forças contrárias, porém complementares: a fúria e a apatia; o movimento e o repouso. É no equilíbrio destas potências - com cada um vivendo o luto à sua maneira, mas contaminando às ações alheias - que John Cameron Micthell coloca o seu filme, cujo roteiro trabalha com aquela tragédia que mais parece ferrugem: vai roendo aos poucos (e por dentro) cada um dos envolvidos.
Em nenhum momento as personagens parecem querer superar a dor, pelo contrário - afinal, como superar a morte de um filho? - elas tentam conviver e sobreviver na dor: ora com o perdão, ora com o rancor que a tudo invadem, levando-as a criar muletas salvadoras: a tal Rabbit hole - bolhas íntimas forjadamente protetoras: vulneráveis a qualquer vento mais forte.
Nestes nossos tempos em que é proibido sofrer, Rabbit hole (adaptação da peça de David Lindsay-Abaire) é lento e difícil como todo luto, mas necessário.