Arnaldo Antunes e Edgar Scandurra
Peça MPB
Teatro dos Quatro
24/05/2010
Peça MPB
Teatro dos Quatro
24/05/2010




Dentre as efemérides da celebração pelos 50 anos de Renato Russo, o livro “Como se não houvesse amanhã” – coletânea de contos inspirados nas canções da Legião Urbana, organizada por Henrique Rodrigues – é uma boa homenagem ao cantor e compositor.
Através de uma showversa, Augusto apresentou como as inovações da Poesia Concreta fizeram a cabeça sonora dos compositores contemporâneos brasileiros e vice-versa.
Mais tarde, em 1975, Caetano reafirmaria a mirada sonora da Poesia Concreta ao gravar "O pulsar". Poema que regravaria outras vezes, inclusive ao vivo.
No momento Arnaut Daniel, Adriana cantou ao modo medieval uma bela canção - "Canção de amor cantar eu vim" - do poeta (conhecido pelas estruturas rítmicas e rímicas inventivas), fazendo a frequente questão - letra de música é poesia? - caducar. A sofisticação de Adriana deu a leveza exata à canção.Obviamente, Ezra Pound não poderia ficar de fora; e muito menos Herman Melville (com Calcanhotto tirado o "canto da baleia" do Cello).
"Sem saída" poema de Augusto, cantado por Calcanhotto no disco Maré, foi apresentado com citações e referências à "It's a long way", de Caetano Veloso. Afinal, sem saída é it's a long long long long way.
O momento Lewis Carrol, em que Augusto, Adriana e Cid apresentaram as traduções de Augusto, para a obra do escritor, foi a mais encantadora. No sentido de que a persona Partimpim de Adriana (quase) se fez presente. "O mocho e a gatinha" e "Canção da falsa tartaruga" foram interpretadas com cuidado estético e graça. Além de "Alface", tradução de Augusto para poema de Edward Lear.
Emily Dickson e Janis Joplin, entre outros, também foram lembradas e identificadas com a Poesia Concreta.
Por fim, ficou a confirmação de que a informação musical formou a poesia que pretendia ser “verbivocovisual” (expressão do Finnegans Wake, de Joyce).
O Rio de Janeiro está completando 445 anos. A cidade, pela generosidade da natureza e por servir como cenário de fatos decisivos da política e da cultura, é musa de odes e antiodes. Desde os tempos em que o Rio era mais tocado do que cantado (choros, polcas e maxixes), até os cantos falados do rap.
A vida é um erro, um engano. Pelo menos quando o sujeito não se permite ser queimado pelo incêndio sobre a chuva rala. Ilusão e realidade são categorias que a cada instante perdem qualquer sentido racional. E as relações afetivas, no bojo da circularidade de emoções sem nome, tornam-se mais singulares, únicas e intransferíveis.
O que há em comum entre "Pra você gostar de mim (Taí)", "Elogio da raça", "Alô... Alô?...", "Tic tac do meu coração", "Adeus batucada", "No tabuleiro da baiana", "Camisa listada", "Na baixa do sapateiro", "O que é que a baiana tem?", "Mamãe, eu quero" e "Tico-tico no fubá" é que, além de serem canções (sambas e marchinhas) que fazem parte do imaginário (orgânico) da história da nossa canção popular (e do nosso carnaval), elas são do repertório de Carmen Miranda.
Caio Fernando Abreu é um autor bastante conhecido. Infelizmente, alguns de seus textos ganharam sofríveis adaptações para cinema e teatro. Salvos a memorável “Dama da noite”, criada por Gilberto Gawronski e a peça “Aqueles dois”, da Cia. Luna Lunera.