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sábado, agosto 25, 2012

Cromática - Waltercio Caldas

Waltercio Caldas
Cromática
Casa França-Brasil

"De todas as aparências, a cor e a mais sólida", W. C.

 
 
 
 

sexta-feira, agosto 17, 2012

A serpente

De 16 a 26 de agosto está em cartaz na CAIXA Cultural (Teatro Nelson Rodrigues) a peça A serpente, de Nelson Rodrigues.
Fincada no desdobramento da frase axial que diz que "O homem deseja sem amor, a mulher deseja sem amar", a direção de Ivan Sugahara encontrou soluções cênicas exemplares para o texto. Os embates da paixão entre as duas irmãs (quase) siamesas - Guida e Lígia - ganham como cenário um gramado-tatame (delícia e dor; vida e morte) onde, aliados à luz objetiva e clara, os atores - Ângela Câmara, Carolina Ferman, José Karini e Saulo Rodrigues - alcançam o tom certo para viver as emoções de desejos e amores tão nossos porque de outros.

sábado, agosto 11, 2012

Gaby Amarantos

Gaby Amarantos
Treme
Circo Voador
10/08/2012
 
 Quem vai querer a minha piriquita?
A minha piriquita, a minha piriquita.
 
 

sábado, julho 28, 2012

Infernynho

Estão gravando o show para lançamento em DVD. É preciso refazer duas canções. Hesitante, ele pede para recomeçar. Não entrou no tempo certo. Para novamente, quer desistir. Não está conseguindo as notas mais altas. Sua companheira de palco insiste. Ele hesita de novo, mas atende aos apelos do público. O público retribui com louvor profano a oportunidade de estar diante do deus-danado. Um coro de vozes acesas e corpos quentes canta alto e o impulsiona a atingir as notas desejadas: altas, bem altas. Ele agradece. Há tempos não cantava a canção. O público exulta. Em tempos de sensações pré-fabricadas e sentimentos claros, não é a toda hora que se pode ter o privilégio de devolver ao deus a danação que ele mesmo nos legou como potência.
Quem é ele? Todo mundo sabe quem é ele. Ele é o amor, ele é todo amor: da cabeça aos pés. E em que outra voz e corpo canções como "Amor objeto", "Açúcar candy", "Folia no matagal" e "Debaixo dos pano" encontrariam melhores traduções? E quem mais, no nosso careta contemporâneo, guarda o segredo daquilo que existe debaixo da linha do Equador? E quem mais tem mostrado que a civilização ocidental não dá conta do Brasil, com suas misturas de xamanismo e possessão? Que trepa no coqueiro e toma banho de espuma.
Doce devassa, a companheira de palco não se deixa intimidar. Contaminada pela danação danada de boa, ela é canibal que devora o canibal. E juntos eles fazem do cantar com o corpo-todo a exaltação da vida. Da vida tropical: purgatório da beleza e do caos; infernynho, com ipsilone. E ensaiam responder à pergunta sem resposta fixa: Por que que a gente é assim?
Incensada de fogo e paixão, a pistola das entidades no palco dispara baunilha na boca e no dorso do público. E o Infernynho, que só poderia ser idealizado por um pesquisador danadinho danado de tesão como Rodrigo Faour, ferve: delícias, vertigens e desmaios – possessão e incorporação. 
Íntimos, gamados, cheios de mania, Ney Matogrosso e Marília Bessy fazem da noite de 27/07/2012, no Teatro Rival (RJ), um acontecimento histórico, a permanência da certeza da beleza de fazer da vida um objeto de amor identificado.

Infernynho

Infernynho
Marília Bessy e Ney Matogrosso
27/07/2012
Teatro Rival



quarta-feira, julho 18, 2012

Febre do rato

Comentar a excepcionalidade do trabalho do cineasta Claudio Assis é chover no molhado. Mas não dá para não dizer que Febre do rato é o filme mais superiormente interessante em cartaz. A visceralidade radical e desimpedida incorporada por todos os atores em cena, o texto (os poemas) declamado, as tomadas líricas e cruas, os cenários pouco usuais (de uma sub e febril Recife) dão a Febre do rato qualidade estética intrínseca. Porém nada disso resultaria na potência que é sem a direção rigorosa, irracionalista e/ou super-racionalista de Claudio Assis. O filme é peça obrigatória de quem quer ter a certeza de que sob a chuva rala e plasticidade lisa do cotidiano massificante há um incêndio; que sob o excesso de moral há uma ética promovedora de vidas (mais reais? Talvez, mas, safada, a vida é um vício, com certeza); e que a "razão" é a falsificadora dos sentidos, como Nietzsche anunciou. Rios, pontes, overdrives e mangue, Febre do rato é um testemunho dos sentidos, mostra que se o tempo do rio não é o tempo da ponte há ainda o tempo daquilo que se mantém (quase) suspenso no ar entre o rio e a ponte: a poesia colada ao corpo de quem geme e ri.

domingo, julho 01, 2012

O Mágico de Oz


Depois de assistir à excepcional montagem de Priscilla, meu nível de exigência com musicais aumentou bastante. É por isso que O Mágico de Oz ficou muito aquém das minhas expectativas.
Com cenários pretensamente gradiloquentes, comprometendo o visagismo, e figurinos fracos - as roupas do bando do Besourão mais parecem as dos bailarinos da Madonna de antigamente, as dos Winkies (feitas de espuma) são fraquíssimas, mas, sem dúvida, o Leão é quem tem o figurino mais prejudicado, sem contar a pobre juba com muderno(?) dread(!) - o espetáculo não vai muito longe do regular.
As atuações exageram no caricatural. Maria Clara Gueiros (Bruxa Má do Oeste / Almira Gultch) é Maria Clara Gueiros, sem tirar nem por; o Leão (Lucio Mauro Filho) presta-se ao riso rápido; e Dorothy (Malu Rodrigues, com boa voz própria de musicais americanos) fica entre a menina enfadada e a patricinha.
No meio disso, se salva a presença de Bruna Guerin (Glinda / Tia Em) e Nicola Lama (Homem de lata / Hickory). Ambos com ótimo trabalho de personagem. Além das coreografias bem executadas.
Entre outros momentos fracos, a cena do redemoinho é reduzida a um jogo já batido de luz e projeções de vídeo e o caminho de tijolo amarelo é explorado de forma confusa diante da saturação de elementos cênicos.
Porém, o maior problema de O Mágico de Oz está no ritmo. Há quebras muito bruscas no andamento, como se a narrativa engasgasse. Não resta dúvida de que é uma super produção, mas talvez esteja também aí o problema: o excesso, o "super" mal resolvido. Uma pena!

quinta-feira, junho 14, 2012

Caetano Veloso

Caetano Veloso
Voz e violão 
e barulho do mar de Copa batendo nas rochas do Forte
Forte de Copacabana
13/06/2012
 

quarta-feira, junho 13, 2012

Jorge Amado e Universal

Jorge Amado e Universal é a melhor exposição temporária que o Museu da Língua já montou.
O fato é que tanto pelo excesso da discutível interpretação da cultura grega, atravessada pela educação e mitologia cristã que privilegiou Apolo, quanto por fugir sem critérios de tudo que possa ser exótico, a Academia ainda hoje não sabe ler Jorge Amado.
Jorge deflagrou e disseminou outros signos, também brasileiros, porém de raiz africana e arcaica. Com isso fotografou e inventou tipos e costumes sensuais e mais próximos de Dioniso do que de Apolo.
Na obra de Jorge, Iemanjá e Oxalá se misturam a Maria e Jesus. Os tambores do candomblé se harmonizam com a lira de Orfeu.
Porém, o "projeto Brasil" de Jorge é gestado na contribuição dos escravos negros africanos, portanto, exige outros dispositivos de interpretação, além dos europeus, posto que tal projeto amplia as noções de brasilidade.
E assim o Brasil de Jorge - um cenário que muitos teimam em reduzir a um pedacinho estranho e exótico da Bahia - não é só verde anil e amarelo, mas também cor de rosa e carvão.
É isso que a exposição Jorge Amado e Universal soube captar muito bem, com seu mar de dendê, com os nomes das personagens feitos em fitinhas (do Bonfim) de amarrar no pulso, suas espreguiçadeiras e seus votos e mimos aos deuses de outras mitologias.

domingo, junho 10, 2012

Satyricon


Não há como ir a São Paulo e não aproveitar algo da programação dos Satyros.
Com o mote de que a terra está tão atulhada de divindades que é mais fácil encontrar um deus do que um homem e, portanto, estando à procura destes e de suas humanidades, fragilidades e finitudes, a adaptação dos Satyros para o clássico da literatura - o Satyricon – mistura a mitologia romana à vida noturna dos michês da grande metrópole.
Descolados do tempo literário e postos na roda viva da noite, dos mictórios públicos, as personagens de Petrônio – o trio Encólpio, Ascilto e Gitão – adaptam-se muito bem ao novo contexto também repleto de mitos, riscos e busca pela sobrevivência à beira do abismo. E a proposta se agiganta por se manter muito distante do filme de Felini.
Os destaques do espetáculo ficam por conta da luz e da direção. Além da trilha sonora e dos objetos de cena. Sem contar o modo sempre singular com que os atores dos Satyros se atiram no salto mortal da encenação, fazendo juiz à classificação indicativa da peça.
Crônica e lirismo se mesclam para montar o império sucateado em que vivemos. Crepúsculo do macho. Resta-nos aceitar a sina escravocrata imposta pela sociedade do espetáculo. Eis a proposta do Satyricon dos Satyros.

Priscilla – o musical

Priscilla – o musical é um dos melhores espetáculos que já assisti. Falo da produção bem executada.
O rigor cênico alcança a perfeição. Os figurinos confeccionados com requintes de detalhes, a iluminação, a orquestra, as perucas, a maquiagem, as marcações, as coreografias, o texto... cada parte unida às outras com harmonia resulta em um todo emocionante e festivo, trágico e sublime.
O ônibus-personagem é um show a parte: são tantas minúcias que os olhos nem conseguem captar tudo.
A peça mostra como as questões discutidas no clássico do cinema são atemporais.
É impossível não se contagiar. Mesmo para quem não curte musicais.
E como não ser tocado pelo modo preciso com que canções do universo pop e camp - de "It's rainning men" a "We belong" e "Dancin days", passando por "Like a virgin", "Don't leave me this way", "I will survive" e "The floor show", entre outras - se oferecem como cenário à aventura que é viver?
Canções que embalaram muitas lutas individuais e coletivas. É Bernadette (Ruben Gabira) quem lembra a Adam/Felicia (André Torquato): "Para você poder ser quem é hoje eu precisei lutar muito".
Como não imaginar que se mais crianças, como Benji, filho de uma drag queen com uma dona de cassino, fossem criadas respeitando a liberdade de gênero teríamos um mundo mais solidário? E isso beneficiaria a toda a sociedade, não apenas a uma parcela, como alguns pensam e professam.
Confesso que chorei um pouquinho, entre tantos risos, vindos da alegria de me reconhecer humano e relembrando alguns momentos históricos que cada uma daquelas canções guarda. Coisas que nem "vivi", mas que estão agregadas à minha história. E pensando quantos desertos ainda teremos que atravessar? 
Tudo em Pricilla – o musical quer afirmar a vida como entrega e risco, dor e sim. E para isso as atuações apaixonadas e lúcidas de cada ator em cena são a melhor tradução. E já que citei duas das três corajosas drags, não posso deixar de citar a Tick/Mitzi (Luciano Andrey).
Priscilla – o musical é grandioso. Como a vida pode ser.

segunda-feira, maio 28, 2012

Siba

Siba
Avante!
Oi Futuro Ipanema
26/05/2012
 
 

Romance de Formação


O filme Romance de formação, de Julia De Simone, faz a gente pensar nesta pergunta de Caetano Veloso: "De que vale a vida se não respondemos ao escândalo que é existirmos com gestos igualmente extremos como a fé inabalável em Deus, a dedicação obsessiva a uma pessoa, uma arte, uma causa?". Com ângulos elegantes e montagem e tomadas inteligentes, o filme documenta a resposta, através da formação acadêmica, que quatro jovens dão a essa pergunta. Entre outras questões, os quatro mostram que é preciso paixão, daí o "romance" do título, para que a formação seja, além de acadêmica, uma realização da vida. No mais, tudo dói. E é por isso que é gostoso. Como isso para mim é viver, indico Romance de formação com louvor.

terça-feira, maio 15, 2012

Jussara Silveira

Jussara Silveira
Ame ou se Mande
Flor bailarina
Teatro Carlos Gomes
15/05/2012
 
Sacha Amback e Marcelo Costa

domingo, maio 13, 2012

As neves de Kilimanjaro

Nenhuma resenha que li sobre As neves de Kilimanjaro dá conta das nuances emocionais que o filme apresenta e desenvolve. O argumento central é fragmentado nos argumentos individuais que cada personagem utiliza para justificar suas ações, crenças e omissões. A expressão "somos burgueses, mas nem tanto", dita por Marie-Claire (acompanhante de uma velha) ao companheiro Michel (líder sindical) é a âncora para se pensar as culpabilidades nossas de cada dia, quando as lutas e as ascessões de classes borram as fronteiras que já definiram quem era vítima e quem era culpado. Inspirada no poema “Les pauvres gens”, de Victor Hugo, ao final, a cumplicidade terna e algo utópica do casal-eixo-narrativo de As neves de Kilimanjaro é a certeza pós-Romântica - para além do individualismo desenfreado - de que o amor é possível e muitos valores (signos) estão em circulação.

domingo, maio 06, 2012

Luz nas trevas

Luz nas trevas - a volta do bandido da luz vermelha é um filme pop, uma reinvenção livre e ousada do mito fílmico. Ney Matogrosso empresta corpo e dá alma a Jorge Prado entre a concisão e a soltura. Enquanto lê Nietzsche na cela da cadeia, o protagonista rever aquilo que ele foi e o modo como isso ainda se sustenta, entremeado pela herança ética e moral deixada ao filho. Tudo no bandido parece doer. As liberdades estéticas promovidas pela direção de Helena Ignez e Ícaro Martins engrandecem os mitemas em torno de Jorge Prado e inflamam novas percepções. O filme põe gás na luz sganzerliana.

segunda-feira, abril 30, 2012

Lenine

Lenine
Palco MPB FM
Teatro SESI
30/04/2012

 
 Em tempos de tempestades
Diversas adversidades
Eu me equilibrio e requebro

domingo, abril 29, 2012

Eliseu Visconti – A modernidade antecipada

Fica a dica: A exposição Eliseu Visconti – A modernidade antecipada, em cartaz no Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, faz juz à importância do artista para a nossa história. Cuidadosamente "esquecido" pela crítica e pela intelectualidade, a obra de Visconti merece sim ser revista e reposicionada pela grandisiodade.
E como bem apontou minha esperta amiga Laura Nery, merecem destaques os nus de Visconti, tanto pelos ângulos pouco convencionais, como pelas técnicas antecipatórias.

sexta-feira, abril 27, 2012

A ilusão cômica

A ilusão cômica foi a grande surpresa teatral da semana. Eu já conhecia o trabalho da Cia Razões Inversas, formada por atores lúcidos do ofício, mas essa peça em cartaz no CCBB do Rio é mesmo incrível. As torções do texto, com sua capacidade de absorção, é algo superior. Teatro dentro do teatro.

domingo, abril 15, 2012

Criolo

Criolo
Fundição Progresso
Rio de Janeiro
14/04/2012

Hoje terra vai tremer
Hoje terra vai tremer
Vulcão da Bahia é tambor de Ilê Aye
Vulcão da Bahia é tambor de Ilê Aye
Liberdade é um bairro
que a alma quer visitar
Lave a boca, limpe os pés
Na pisa que for levar
Liberdade é um bairro
que a alma quer visitar
Lave a boca, limpe os pés
Na pisa que for levar